Liberalismo: uma filosofia para os excluídos

por Carlos Góes (publicado originalmente no site mercadopopular.org)

 

Isso pode parecer estranho pra você, mas o liberalismo é uma filosofia que surgiu para amparar os excluídos. Sua lógica fundamental é a de que o indivíduo não se define pela estrutura na qual ele se insere, por seus genes ou pela profissão de seus pais, mas por sua condição humana. Não é por acaso, portanto, que a maior conquista dos liberais brasileiros tenha sido o fim da escravidão.

A lógica liberal é a ideia de que somos tão diferentes que precisamos ser iguais em dignidade e direitos pra vida funcionar. E esses direitos não precisam de justificação metafísica, eles existem por causa da evolução social e porque esses são mecanismos alegóricos necessários à prosperidade e à continuidade da vida em sociedade.

A divisão do trabalho, para além da prosperidade que torna possível que as massas tenham hoje uma qualidade de vida muito superior a de reis há alguns séculos, tem seu mais importante aspecto em nos tornar (inter)dependentes de outros. Ao contrário de ser algo que nos distancia, é algo que nos aproxima. É algo que implica a necessidade de cooperação de esforços e conhecimento entre milhares de indivíduos que muitas vezes nem se conhecem.

Indivíduos que podem se odiar, mas cooperam – muitas vezes inconscientemente. Com isso, quebram as estruturas sociais irracionais que solapam diversas sociedades. Afinal de contas, por causa da divisão do trabalho você não sabe se quem colheu o trigo do pão que você come é da sua nacionalidade ou da mesma cor de pele que você. E a demanda por eficiência econômica trabalha como válvula de pressão para que as pessoas abandonem as irracionalidades dos preconceitos – a exemplo das multinacionais na Índia que funcionam como mecanismo de ascenção social dos que nasceram em castas desfavorecidas.

 

A gente coopera sem perceber: ninguém consegue fazer sequer algo muito simples, como um lápis, sozinho!

 

Sim, existem diversos problemas com nossa sociedade. Eles devem sempre nos incomodar. Em última instância, nossas interações econômicas só podem ser tão boas quanto a própria sociedade. Mas uma das coisas que o estudo da nossa história econômica nos ensina é que a condição natural da humanidade é a pobreza e a falta de mobilidade social. Foi assim que a gente permaneceu por cerca de 5000 anos.

Alguma coisa muito especial começou a acontecer 250 anos atrás que permitiu com que a pobreza caísse de mais de 90% a 15% da humanidade enquanto a população global aumentou mais de sete vezes. Alguma coisa muito especial aconteceu pra impedir que, caso fosse você o filho de um ferreiro ou de um servo, você estivesse condenado a viver com o mesmo nível de renda que seus pais sem possibilidade de mudança. A gente se acostumou tanto com o aumento exponencial do bem estar que a gente nem percebe o quão extraordinário isso é.

Parece-me sempre preferível um modelo que se baseie na constante ampliação de bem estar dos mais pobres, por meio da redução de custos e na produção para as massas, do que um que atenda somente as necessidades dos ricos. Afinal, a Rainha da Inglaterra sempre teve dinheiro suficiente pra comprar velas e iluminar seus salões. Já os pobres só conseguiram atingir esse nível de bem estar com a produção em massa da lâmpada elétrica.

 

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Não, a realidade não é perfeita. Nós somos imperfeitos. Mas a realidade da economia de mercado é essa descontinuidade na história. Um salto da pobreza à prosperidade. Temos tudo para testemunhar o virtual fim da pobreza no mundo no curso de nossas vidas. E isso, pra mim, é o mais importante: ajudar os mais pobres.

Ao contrário do que se apreende da fama disseminada por seus críticos, a história dessa imperfeita filosofia é uma de inclusão dos excluídos e de enriquecimento dos mais pobres.

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