A História do Movimento Libertário

Por Samuel Konkin (publicado originalmente no site aesquerdalibertaria.blogspot.com)

Antes de 1969
Anterior à 1969, não havia nenhum movimento libertário “organizado”. No século dezenove, os círculos formados em torno do abolicionismo individualista de Lysander Spooner, em Massachusetts, seguido por Benjamin Tucker e sua revista Liberty (não ser confundido com o zine de Seattle da década de 1980 e 1990) mantiveram a bandeira negra da anarquia individualista, da década de 70 do século dezenove, até 1907. Naquele ano, todo o estoque de edições anteriores e livros pegou fogo e Tucker deixou os Estados Unidos para viver obscuramente na França até a sua morte em 1939.
A orgia do estatismo atingiu seu auge, pela primeira vez, com a Primeira Guerra Mundial e então recuou. Randolph Bourne proferiu a linha memorável, A Guerra é a Saúde do Estado, pouco antes de sua morte em 1918 e o Roaring Twienties (Loucos Anos) viu um breve renascimento da liberdade. Os dois principais representantes eram Albert Jay Nock e sua revista Freeman (onde Suzanne LaFollette chegou pela primeira vez à notoriedade [N. T.: LaFollette foi uma importante feminista individualista de seu tempo]), de 1920-24, e, por diante, H. L. Mencken e sua American Mercury, no final da década de 1920 e através da década de 1930, até a aproximação do segundo orgasmo do estatismo, a Segunda Guerra Mundial.
O aluno de Nock, Frank Chodorov, foi responsável pela primeira organização estudantil proto-libertária na década de 1950, o Intercollegiate Society of Individualists (ainda por aí, mas agora chamado de Intercollegiate Studies Institute). Murray Rothbard, um fã político de Chodorov (porém em desacordo com sua divergência georgista sobre “A Questão da Terra), formou o grupo Bastiat Circle no final da década de 1950 após serem removidos da revista National Review [N. T.: National Review é uma das principais publicações americanas sobre política conservadora], de William Buckley (Buckey era fã de Nock por si só e tinha se descrito como um “anarquista filosófico” antes de ungir-se a conversão do conservadorismo americano moderno, depois de ter “visto um invasor de sonho”).
Robert LeFevre e Leonard Read, assim como Rothbard e Chodorov, foram evoluindo a partir da aliança com o movimento americano “Antiga Direita” contra a ultra-estatista máquina de guerra do New Deal de Franklin Delano Roosevelt. Liberais clássicos (como John T. Flynn), anarquistas e até socialistas, como Norman Thomas, se juntaram na grande cruzada American First contra o imperialismo dos EUA entre 1939 e 1941 com nada menos do que 80% das pessoas apoiando eles… até Pearl Harbor.
LeFevre teve um lance de concorrer ao congresso com a preferência de Richard Nixon em 1948, mas logo percebeu que não poderia construir um movimento pela liberdade sem primeiro re-informar o povo americano sobre o que era a liberdade. Algo que eles tinham perdido em cinco décadas de estatismo ininterruptos. Ele formou o Freedom School no Colorado e seus jovens graduados tornaram-se os primeiros ativistas no movimento estudantil. As pessoas mais velhas participaram do Foundation for Economic Education, de Read, no norte do estado de Nova Iorque.
Rothbard foi atraído para o crescente movimento estudantil e, de fato, entrou para o Students for a Democratic Society com seu pequeno seguidor [N.T.: O Students for… foi uma das maiores organizações estudantis da Nova Esquerda]. Ele rompeu com aqueles libertários agarrados a uma aliança com a direita anti-New Deal, opondo-se ao político Barry Goldwater, em 1964, e iniciando a publicação Left-Right em 1965. Participou ativamente dos encontros do movimento da Nova Esquerda americana, escreveu para a revista Ramparts e até mesmo formou alianças táticas nas convenções Freedom & Peace Party com maoístas contra socialistas da antiga linha.
Os alunos de LeFevre iniciaram o Libertarian American no Texas e Liberal Innovator (em seguida apenas Innovator) na California. Mas quando Kerry Thornley tornou-se editor, também buscou uma aliança pró-Nova Esquerda. O Innovator criou folheto para os representantes de Goldwater na convenção do partido Republicano, em 1964, no San Francisco Cow Palace. O Innovator também publicou os primeiros artigos a respeito das atividades do mercado underground, que mais tarde viria a ser conhecido como Contra-economia. Infelizmente, os colaboradores do Innovator passaram para a obscuridade assim quando o movimento libertário estava prestes a estourar popularmente.
Daniel Rosenthal, Sharon Presley, Tom McGivern e outros romperam com o grupo de campanha Youth for Goldwater para formar o Alliance of Libertarian Activists, a primeira organização explicitamente libertária no final de 1964, na Universidade da California, em Berkeley. Enquanto isso, antes de 1960, o Youth for Goldwater que tinha reformado a propriedade da Sharon em Buckley, Connecticut, continuou a atrair estudantes libertários, em grande parte sem conhecimentos de outros grupos. O novo grupo estudantil, Young Americans for Freedom, teve um presidente libertário, o fundador, Bob Schuchman, que rejeitou o rótulo “Young Conservatives”.
Assim, enquanto os primeiros ativistas libertários seguiam Rothbard e LeFevre que, sobretudo, lutavam ao lado da Nova Esquerda, o grupo posterior e muito maior de ativistas extremistas da universidade que simpatizava com a liberdade viu-se no lado oposto do maior grupo anti-Nova Esquerda, o Young Americans for Freedom, no meio do ano de 1969.
Samuel Konkin III (ou SEK3), criador da teoria de ação
direta Agorista e um dos libertários mais ativos da época.

 

Uma palavra sobre Ayn Rand
A afirmação de Jerome Tuccille (no título de seu livro e em outros), It Usually Begins with Ayn Rand não foi preciso, mas indicativo. O próprio Tuccille se juntou a Rothbard e a outros no início da pré-convenção de St. Louis para tentar criar um movimento libertário fora do Young Americans for Freedom e do sub-grupo do Students for a Democratic Society (SDS), o Radical Libertarian Alliance (RLA). A própria Rand se opôs ao ativismo político independente, sempre apoiou candidatos do Partido Republicano (voltando ao candidato a presidênca do partido, Wendell Willkie) ou ninguém e rejeitou fortemente qualquer associação com o libertarianismo. Ela convocou seus seguidores do grupo Students of Objectivism e eles agiram nos campus independentemente (por exemplo, na Universidade de Wisconsin entre 1968-70, cerca de 300 deles foram convocados ao Commitee to Defend Individual Rights). Porém, é verdade que muitos dos membros do Young Americans for Freedom foram influenciados por lerem Rand e sub-grupos nos estados da Pennsylvania e Maryland eram abertamente seguidores de Rand. Don Ernsberger e David Walters, da Pennsylvania, formaram o Libertarian Caucus de dentro do Young Americans for Freedom com Dana Rohrabacher e Bill Steele da California (seguidores de LeFevre). De acordo com David Nolan, do Colorado, um Libertarian Caucus anterior foi posto à prova nas prévias da convenção nacional do Young Americans for Freedom de 1967.
Outro dos seguidores de Rand que contribuiram para o início do libertarianismo foi Jarret B. Wollstein, que criou o Students for Rational Individualism (SRI) e a revista The Rational Individualist. Junto com o periódico de Rothbard, New Libertarian, que ele mudou quando descobriu que o nome era usado por um boletim informativo obscuro para o Libertarian Forum e para o Rampart Journal de LeFevre, o Rational Individualist se tornou a publicação libertária mais importante até 1971. Também influenciado por Rand foi Lanny Friedlander, que iniciou um fanzine chamado Reason, em 1968 [N.T.: hoje, Reason é a principal revista americana de viés libertária, tendo uma circulação mensal de cerca de 50 mil exemplares].
Quem escrevia para o The Rational Individualist e Rampart Journal foi o anarco-objetivista Roy Childs. Childs escreveu um artigo chamado An Open Letter to Ayn Rand no qual não obteve resposta dela senão o habitual expurgo por questionar a ideologia dela. Mas esse caso de que o objetivismo conduz naturalmente à anarquia de livre mercado deixou sem resposta prevista para uma conexão para muitas conversões ao libertarianismo, tal como o filósofo e amigo de Childs, George H. Smith.
Em 1968, Ayn Rand se desligou de seu discípulo principal, Nathaniel Branden, que tinha conduzido sua organização ativista, Nathaniel Branden Institute (NBI). Ex-objetivistas ocuparam as fileiras do Young Americans for Freedom e Students for Rational Individualism.
No final de 1968, Rothbard se aventurou num jantar no clube Left-Right Anarchist, em Nova Iorque, com o anarco-comunista Murray Bookchin, que durou duas reuniões. Rothbard foi acompanhado pelo ex-escritor de discurso do político republicano Barry Goldwater, Karl Hess, no Libertarian Forum e no ativismo do Students for a Democratic Society. Hess foi muito além, como se juntar ao Panteras Negras. Seu artigo de 1969 na revista Playboy, The Death of Politics” só perdeu para o The Moon is a Harsh Mistress”, de Robert A. Heinlen (publicado em série de 1967-68). Com seu retrato de uma ampla revolução libertária de sucesso na lua, bombando as fileiras sobre o então surgido movimento libertário.
Karl Hess, ativista atuante e um dos fundadores
(junto de Rothbard) do moderno movimento libertário.

 

1969-1974
Se o movimento libertário teve uma era dourada, ela ocorreu entre Agosto de 1969 até por volta de Agosto de 1974. A convenção do Students for a Democratic Society se rompeu em vários caminhos, removendo os anarquistas antes da chegada de outros representantes. O Young Americans for Freedom iniciou-se removendo sub-grupos racistas e de seguidores de Ayn Rand em Julho, e ambos os lados, libertários e tradicionalistas (ou “trads”) [N.T.: nesta época, o termo “tradicionalista” era mais popular do que o termo conservador], empenhados em “encobrir” seus sub-grupos com membros para maximizar o forte representante em St. Louis para a convenção nacional durante o fim de semana do Dia do Trabalho. Para ajudar os libertários, perto dali estava a convenção do World Science Fiction, também naquele fim de semana em St. Louis, e o número de fãs do escritor de ficção científica Robert Heinlein que estariam frequentando e estariam disponível para aceitar a condição de representante.
Os trads, já no poder, conseguiram privar a maioria dos representantes libertários de credenciais, mas em torno de 200 libertários radicais mantiveram a posição de representante e muitos que vieram como apoiadores dos trads (como o editor fundador do New Libertarian) se mudaram para o Libertarian Caucus quando eles viram o tratamento repressivo de trads autoritários. A agitação, adicionalmente, foi a pequena Anarchist Caucus dos grupos Radical Libertarian Alliance e do Student Libertarian Action Movement (SLAM). O Anarchist Caucus atingiu o auge de 30 representantes e não conseguiu ter mais do que isso pelo auto-intitulado “anarquista filosófico”, Michael Ingallinera. Karl Hess liderou um comício sob o famoso arco de St. Louis, que foi dispersado pela polícia.
Dana Rohrabacher, o “Johnny do baseado” do Libertarian Caucus, não conseguiu ter mais do que 220 votos e era o mais popular dos libertários puristas. Harvey Hukaki, de Stanford, concorrendo de forma independente tanto da forte censura dos trads do “escritório nacional” quanto do Libertarian Caucus, foi o melhor mas ainda não tinha conseguido vencer. James Farley, alegando ser um libertário concorrendo sobre a censura forte do escritório nacional, por outro lado, recebeu a maior votação total de representante (em torno de 500 a 800). Samuel Edward Konkin III, um representante de Wisconsin, e seu amigo anarquista Tony Warnock (ambos, de forma devida, suspeitos de terem vencidos sobre Rohrabacher e Rothbard) descobriram que eles haviam sido substituídos por suplentes quando tinham ido fazer uma refeição pela manhã. Embora tivessem chegado de volta uma hora ou mais antes da declaração dos votos que seus estados fossem declarados.
O momento mais espetacular na convenção de 1969 do Young Americans for Freedom, de St. Louis, ocorreu quando um membro do Anarchist Caucus queimou um xerox do seu documento de alistamento militar obrigatório em frente às câmeras de TV e foi atacado por valentões trads do Young Americans for Freedom [N.T.: O ato simbólico de queimar cópias do documento de alistamento obrigatório para a Guerra do Vietnã era amplamente defendido pelas esquerdas e libertários, como forma de protesto do envolvimento bélico americano no exterior]. Os libertários tentaram formar uma linha para protegê-lo e a batalha física subsequente radicalizou bastante os conservadores-libertários “fusionistas”. Embora alguns, como Jared Lobdell, tentaram apaziguar os libertários com uma forte plataforma política minoritária anti-serviço militar obrigatório, não se opuseram ao presidente David Keene, que apelou para ambos os lados pela unidade. E a remoção continuou após a convenção.
Naquele início de fim de ano, o Libertarian Caucus e o Students for Rational Individualism se fundiram no Students for Individual Liberty, duplamente alocado na Pennsylvania e Maryland em torno de Ernsberger/ Walters e Wollstein/ Childs. Rohrabacher e Steele, após suas remoções, formaram o California Libertarian Alliance e anunciaram uma grande convenção no Hotel Diplomat, em Outubro de 1969 (fim de semana do Dia de Colombo).
A conferência do Radical Libertarian Alliance atraiu individualistas do movimento Nova Esquerda e anarquistas do ex-Young Americans for Freedom, mas os livre-mercadistas ficaram pra ouvir Rothbard e os seus companheiros do Circle Bastiat, Leonard Liggio e Joseph Peden, discutirem economia e história revisionista. Enquanto Hess liderava um contingente a se juntar a Marcha ao Fot Dix dos integrantes da Nova Esquerda. Quando este voltou perseguido por agentes do FBI, o Radical Libertarian Alliance entrou em colapso e Rothbard oscilou para a direita política.
Em Fevereiro de 1970, apoiado por Riqui e Seymour Leon realocados do Ramparts Institute de LeFevre (em Santa Ana, California), o California Libertarian Alliance hospedou o Right-Left Festival of Mind Liberation na Universidade de Southern California. Aproximadamente 500 ativistas compareceram para ouvir LeFevre, o ex-presidente do Students for a Democratic Society, Carl Oglesby, Karl Hess, Rohrabacher, Samuel Konkin e a maioria dos primeiros ativistas. A cobertura da imprensa aos libertários (como a cobertura da convenção na LA Free Press) estava crescendo e atingindo o auge em 1971 com a capa colorida na revista New York Times Magazine (veja mais adiante).
O Libertarian Alliances e os sub-gupos do Students for Individual Liberty se espalharam para todos os grandes campus em 1970. O Madison, Winsconsin, UW Libertarian Alliance brotaram sub-grupos nas escolas de ensino médio da vizinhança e iniciaram um boletim informativo, o Laissez Faire. Suas cinco edições foram o primeiro volume do que viria a se tornar o New Libertarian. Durante as demonstrações do Camboja, em Maio, o University West of Los Angeles reuniu antigos associados do Young Americans for Freedom e do YIP e foram atacados tanto com gás lacrimogênio da guarda nacional quanto pelos canalhas do grupo Maoist Progressive Labor.
Durante o verão de 1970, Samuel Konkin estabeleceu contatos com libertários da costa leste e trouxe os estudantes de Columbia, Stan Lehr e Lou Rosseto (hoje editores da revista Wired), para o movimento. Eles formaram o Columbia Freedom Conspiracy. Samuel Konkin se mudou para a Universidade de Nova Iorque e formou o NYU Libertarian Alliance, mudando o nome do informativo para NYU/ New Libertarian Notes (uma homenagem irônica ao periódico New Left Notes) e recrutando muitos do NYU Science Fiction Society como o núcleo do NYULA. Rapidamente semeando sobre outros campus de Los Angeles, ele formou o New York Libertarian Alliance, mas em deferência ao grupo mais antigo, formado a partir do objetivista Metropolitan Young Republican Club, chamado por Gary Greenberg o New York Libertarian Association, tal nome foi raramente usado publicamente, deixando este termo para a associação. O New York Libertarian Association foi parte do Students for Individual Liberty, enquanto o Libertarian Alliance era fortemente identificado com o California Libertarian Alliance.
O New York Libertarian Alliance e o New York Libertarian Association trabalharam juntos no Libertarian Conferences tanto quanto o Columbia Libertarian Conferences, de 1971, do Freedom Conspiracy. Onde Milton Friedman foi confrontado por Samuel Konkin como por sua responsabilidade pelas características das políticas de retenção do imposto de renda. Prontamente Friedman abraçado o “crédito” como desculpa necessária para combater a Segunda Guerra Mundial (no qual foi questionado pela maioria dos libertários revisionistas históricos de lá), isso desacreditou ele e sua Escola de Chicago totalmente do movimento libertário e colocou a Escola Austríaca de Economia, de Ludwig von Mises (e de Rothbard), como a vanguarda da teoria do livre mercado. O Libertarian Alliance da Universidade de Nova Iorque participou das reuniões do Mises Circle na universidade e Mises foi o convidado de honra no subsequente Libertarian Conferences da costa leste, hospedado por Students for Individual Liberty do Campus Drextel, na Pennsylvania.
Por volta de 1972, o NYU Libertarian Notes tinha-se evoluído de um fanzine mimeografado para compor um zine semi-profissional. Com o crescimento pouco frequente do The Radical Individualist (hoje apenas The Individualist), se tornou a principal publicação multi-facção com esse credo: “todo mundo que aparece nessa publicação discorda”. Ainda influente foi o SIL Notes do Students for Individual Liberty, mas também iniciou pulando edições. Em Nova Iorque, o Abolitionist do Radical Libertarian Alliance foi ampliado pra uma perspectiva, até mesmo como Radical Libertarian Alliance mudou seu nome para Citizens for a Retructered Republic e abandonou táticas do grupo Weathermen por alianças eleitorais. Rothbard pediu apoio para Mark Hatfield ou William Proxmire como candidatos anti-guerra, porém quando eles foram eliminados, ele recusou-se a apoiar George McGovern.
Na costa oeste, Rohrabacher, Leon e LeFevre publicaram duas edições de Pine Tree que depois se tonaram a revista RAP. Como de costume, o California Libertarians se anteciparam demais e causaram certa tristeza no resto do movimento ou do mercado. Mais ambicioso, Leon Kaspersky tentou distribuir um tabloide libertário mensal, Protos, mas desistiu. Todos falharam dentro de um ano. A primeira tentativa de livraria libertária foi feita por Berl Hubbel em Long Beach, profeticamente nomeado Agora Black Market Bookstore.
Lanny Friedlander, com sede em Massachusetts, vendeu a publicação Reason para o minarquista (termo cunhado por Samuel Konkin em 1970 e aparecendo na revista Newsweek em 1972) Robert Poole e o anarquista Manny Klausner que, juntamente com o filósofo Tibor Machan, se mudaram para a California e, implacavelmente, se direcionaram para a direita política. Até que saiu do movimento libertário completamente. Alcançou a maior circulação que qualquer publicação que se denominava libertária, com 10 mil tiragens (e continuou a crescer após abraçar o neoconservadorismo). A segunda foi a revista Libertarian Review, de Robert Kephart, que atingiu o auge de 7 mil tiragens sob a posse subsequente de Charles Koch e controlado por Ed Crane.
Em 1971, o New York Times publicou sua reportagem de capa sobre Rossetto e Lehr, de Columbia. Em 1972, Edith Efron referiu ao libertarianismo como uma terceira posição distinta do progressismo e do conservadorismo na revista TV Guide. O reconhecimento da mídia pelo movimento começou a decair por causa de uma nova organização. Aparecendo no início de 1972, para o desprezo quase universal do movimento libertário altamente anti-político e, até mesmo, revolucionário: o Partido “Libertário”. Para o espanto de todos, inclusive alguns partidários do próprio partido, venceu um voto eleitoral para seu candidato presidencial, John Hospers, e seu candidato vice-presidencial, Toni Nathan, a primeira mulher a vencer um voto eleitoral. Como uma recompensa por sua deserção da delegação do colégio eleitoral total de Nixon da Virginia, Roger McBride foi dado a nomeação de 1976 ao Partido Libertário e quase trouxe de volta para o total obscurantismo.
Em Outubro de 1972, Samuel Edward Konkin III e o fundador do partido Libertário, David Nolan, debateram a moralidade da votação no New Libertarian Notes.
A verdadeira eleição crucial produzida foi a eleição municipal de Nova Iorque em 1973. Samuel Konkin e o Libertarian Alliance tinham concordado em se juntar ao Free Libertarian Party, de Nova Iorque, ainda que incitando explicitamente a destruição do Partido Libertário. Samuel Konkin venceu a eleição para a comissão executiva e prontamente construiu uma coalizão de minarquistas do norte do estado e radicais de Manhattan, que combinaram em dar força aos “anarquistas” da cidade de Nova Iorque que estavam disposto a se opor ao estado, mas que abraçavam políticas partidárias: os partidarquistas [N.T.: do inglês, “partyarchy”] (também cunhado por Samuel Konkin no New Libertarian Notes). A única campanha em que todos participaram juntos foi para Fran Youngstein para prefeito. Infelizmente, Murray Rothbard foi atraído por Youngstein e sua oposição de desdenho ao Partido Libertário (ele apoiou Nixon em em 1972 assim como Rand) terminou. Os anarquistas do New Libertarian Notes, que eram rothbardianos na maioria dos aspectos, contudo, aderiram a posição anti-política do California Libertarian Alliance (LeFevre) como mais consistente e foram forçados a se separar e sair da convenção do Free Libertarian Party, de 1974. Conforme seus parceiros de coalizões iam ganhando controle, deixando um beco sem saída. Contudo, venceram a condição suficiente de representantes para a convenção nacional do Partido Libertário, de Dallas, para aliar-se com reformistas moderados do E. Scott Royce, que concorreram contra Edward H. Crane III e o Nolan National Office.
Após a derrota de Royce, Crane criou uma máquina autoritária e removeu vários informativos do estado como simpáticos à Samuel Konkin e a “facção política radical”. Aqueles dos campus de Los Angeles que resistiram ao Partido Libertário e aos seus partidários e aqueles que trabalhavam por fora do partido como um SLAM revivido, agora chamado por um New Libertarian Alliance ao que foi anunciado em 1974 após Dallas. Como partidarquistas, eles se prepararam para as eleições congressionais de 1974 (no qual produziu nada) e o New Libertarian Alliance cresceu ao topo apenas a ir… para a obscuridade. A resposta de Samuel Konkin para a política eleitoral foi a recusa em pagar impostos, não obedecer regulamentações ou em, de qualquer modo, dar ao estado vampiro o seu sangue – a Contra-economia – combinada com a teoria libertária. Em outras palavras, defensores politicamente conscientes do mercado negro, ou agoristas.
Murray Rothbard, em seus 30 e poucos anos,
foi o personagem mais marcante do
moderno movimento libertário.

 

1975-1980
Como de conhecimento de todos, o partido foi deixado com as escórias e vacilantes do movimento libertário. Por de baixo, o New Libertarian Alliance construiu sua contra-economia. Mas entrou ainda outro fator em 1975: a vasta fortuna de Charles e David Kock e o Cato Institute que eles doaram. Ed Crane, já no controle do Partido Libertário, se tornou o presidente do Cato e desembolsador de fundos. Um complexo de escritórios foi montado em San Francisco e o Cato trouxe a revista Libertarian Review de Kephart, continuando com Roy Childs como editor, mas contratando Jeff Riggenbach para manter o Libertarian Review de modo atual no comando. Riggenbach também escreveu para o New Libertarian.
O New Libertarian Notes tinha percorrido um longo caminho. Fez uma entrevista em série que J. Neil Schulman teve com Robert A. Heinlein, o primeiro entrevistado publicado em décadas. A circulação do New Libertarian Notes decolou e quase teve um sucesso de mil exemplares na Convenção Mundial de Ficção Científica de 1974, em Washington, D. C., com a parte final da entrevista de Heinlein. Em 1975, Samuel Konkin abandonou a costa leste e, com o núcleo mais radical (exceto por John Pachak o artista de layout de longa data), se amontoaram numa Toyota para uma viagem lendária de três semanas cruzando os EUA para se realocarem em Los Angeles.
Entre Dezembro de 1976 a Janeiro de 1978, Samuel Konkin e aqueles que tinham vindo de Nova Iorque juntos (Andy Thornton, J. Neil Schulman, Bob Cohen), além dos californianos sulistas como Victor Koman e Chris Schaefer, editaram o New Libertarian Weekly – 101 edições do New Libertarian Weekly antes de finalmente retroceder a uma publicação mensal e de menos frequência. Ironicamente, a publicação com a melhor história, com frequencia (melhor até que a razão ao qual atrasou e pulou várias edições iniciais da carreira de sua publicação), se reduziu sobremaneira em uma produção semanal e nunca mais voltou a ser uma publicação regular, de tempo certo, novamente. Durante essa época, o New Libertarian Weekly não apenas se tornou a publicação de libertários anti-partidos e o “jornal recordista” do movimento, mas também assumiu a causa de se opor ao “monocentrismo”, a monopolização do movimento libertário pelo dinheiro e o poder do Koch, o lendário “Kokhtopus”.
Assim que o New Libertarian Weekly ficou estupefato da frequencia pelo plano da revista New Libertarian, Rothbard cortou relações com o Kocktopus. As relações entre Murray Rothbard e Samuel Konkin foram maximamente tensa durante o ano de 1977, quando Rothbard se juntou ao Kochtopus e se mudou para San Francisco. Rothbard foi descrito como o “Darth Vader” do movimento (Star Wars tinha acabado de ser lançado). Rothbard contra-atacou com seu ataque sobre os “cadetes espaciais” dos libertários influenciados por ficção científica e foi atacado por ele mesmo dentro do Partido Libertário pelos “cadetes espaciais” que rotularam sua facção de “comedores de vermes”. Porém Rothbard teve uma briga durante a década de 1980, na campanha presidencial de Clark em 1980, com Crane, que controlou a campanha e suas “ações” na Cato, que foram confiscadas por outros membros do conselho. O New Libertarian prontamente apoiou Rothbard em seu clamor, “eles roubaram minhas cotas de participação”, e as relações foram fortemente reparadas.
Edward Crane e seu amigo vice-presidente eleitoral, David Koch, obtiveram o maior número de votos para o Partido Libertário (próximo de 900.000), mas sob um custo incrível por voto. E alguns milhares de votos que Hospers tinha recebido em 1972, tinha chegado a ele, pelo menos, um voto eleitoral. O Partido Libertário iniciou seu longo declínio (o próprio Hospers se voltou contra o Partido Libertário).
1981-1990
Com a oposição de Rothbard aos Kochtopus, o controle de Crane entrou em rápido declínio. O grupo Students for a Libertarian Society rapidamente entrou em colapso e seu líder escolhido a dedo, Milton Mueller, caiu fora do movimento. A tentativa do Cato de se chegar aos progressistas da esquerda, com a revista Inquiry, se estabilizou na circulação e se coligou ao Libertarian Review que não conseguia romper a posição de 5000 exemplares de circulação. Na convenção nacional de 1983 do Partido Libertário, Crane perdeu uma batalha próxima com a coligação da coalização de centro-direita que levantou o apparatchik do estado da California, David Berglan, contra o membro do CFR, o isolacionista moderado, Earl Ravenal. O dinheiro do Koch foi retirado em favor da eleição de 1984 e Ed Crane se virou contra o Partido Libertário.
Em 1985, na Convenção Internacional Libertária, em Oslo, Noruega, Crane e Konkin foram debater a validade do Partido Libertário para os libertários. Após o massacre feito por Samuel Konkin, Crane se levantou e se recusou a defender o partido, mesmo assim cumprimentando Konkin. Uma pena que Crane tenha se movido para a direita política.
Rothbard, igualmente, perdeu interesse no Partido Libertário com ninguém a deixar na sequência de lutar pelo partido. Uma débil tentativa foi feita para parar o candidato de Rothbard, o representante do estado do Texas pelo Partido Republicano Ron Paul, de obter a nomeação em 1988. Principalmente vindo do Association for Libertarian Feminists, que se opôs a ele fortemente sobre o aborto. Quando o voto de Paul continuou a declinar a partir da alta de Clark, Rothbard culpou os libertários “de esquerda” (aparentemente ainda no Partido Libertário) e de pessoas que não visam o que é prático sem meios visíveis de apoio (agoristas e outros contra-economistas?) e saiu do partido. Com Llewellyn Rockwell, Rothbard formou o Ludwig von Mises Institute e anunciou uma aliança com Thomas Fleming do Rockford Institute e seus paleoconservadores [N. T.: paleoconservadores são conservadores americanos tradicionais, contrários às políticas externas imperialistas e favoráveis a um estado menos inchado] como uma tentativa de reviver o movimento americano chamado Antiga Direita.
Enquanto o Partido Libertário declinava, se dividindo cada vez mais, o New Libertarian Alliance brotava além das instituições estabelecidas. Em 1978, o Movement of the Libertarian Left [N. T.: o Movement of the Libertarian Left foi a primeira grande tentativa de reviver as ideias e posturas iniciais que deram corpo ao movimento libertário original. Essa tentativa mais purista e radical foi reformulada, ampliada e hoje ela é conhecida pelo movimento chamado Alliance of the Libertarian Left, do qual seus seguidores se denominam como “libertários de esquerda” (left-libertarians)] foi formado a partir da base de ativistas remanescentes em restaurar e continuar a aliança que Rothbard e [Carl] Oglesby iniciaram entre a Nova Esquerda e os libertários contrários a intervenção estrangeira ou imperialismo.
O periódico interno do Movement of the libertarian Left foi o Tatics of the Movement of the Libertarian Left. Também iniciou um jornal teórico após a publicação bem tardia de Samuel Konkin, O Manifesto do Novo Libertário. As reações feitas por Rothbard, LeFevre e o anti-voto/ anti-ativista Erwin “Filthy Pierre” Strauss e a réplica de Konkin se tornaram a base da primeira edição do Strategy of the New Libertarian Alliance. A segunda edição do Strategy of the New Libertarian Alliance iniciou com a série do Agorism Contra Marxism e a crítica de Robert Smith do “Leninist” Libertarianism de Rothbard. Dentro de uma década, Rothbard tinha mudado para a direita e o Muro de Berlin tinha caído (Por causa do Agorismo, se produziu periódicos no leste europeu marxista e foi vigorosamente debatido no início da década de 1980).
Em 31 de Dezembro de 1984, o The Agorist Institute foi formado naquela data simbólica e com o logotipo da “ponta do iceberg”. Então em 1985 o Movement of the Libertarian Left foi entregue para Victor Koman e Mike Gunderloy, enquanto Samuel Konkin, J. Kent Hastings e John Strang concentrou no The Agorist Institute. O periódico The New Isolacionist combinou as habilidades editoriais e os escritos de Konkin e Royce, com Alexander Cockburn e Noam Chomsky da Nova Esquerda americana, Thomas Fleming e Charles Reese da Antiga Direita americana e muitos outros anti-intervencionistas.
Enquanto isso, o New Libertarian trouxe publicamente sua bem tardia cápsula de tempo da nova geração de autores de ficção científica das décadas de 1980, para o ano 1990. A edição de tamanho grande, a primeira com uma capa colorida, se transformou em uma homenagem a Robert A. Heinlein, que acabara de morrer. Contribuintes incluídos Robert Anton Wilson, Robert Shea, Victor Koman, Brad Linaweaver, L. Neil Smith, J. Neil Schulman, Oyvind Myhre, da Noruega, e Chris Shaefer para filmes baseados nos escritos de Heinlein. Fãs de ficção científica libertária (frefen) tinham transformados suas facções em “Heinlein Wakes” no final da década de 1980 e culminou com a grande, o maior encontro internacional de escritores libertários no The Hague sobre o “feriado” de fim de semana no final de Agosto, onde estrou o campeonato de beisebol nacional do ano. A versão final não estava disponível até que a NASFiC, em San Diego, do fim de semana.
O Partido Libertário estava em tão mal estado que Samuel Konkin clamou por um cessar fogo e a retomada de energia em edições passadas do New Libertarian. Com o colapso do Muro de Berlim, libertários dos mais importantes se “aposentaram” para cuidar da vida pessoal durante dois anos.
1991 – Hoje
A revista Reason se afastou cada vez mais dos holofotes e ficou muito menos radical. O libertarianismo na década de 1970 até 1985 só continuou com o Libertarian Review e o New Libertarian, com circulação acima de mil exemplares de circulação. Quando o Libertarian Review e o Inquiry saiu de cena, o New Libertarian não foi deixado sozinho. Bill Bradford, um assinante de longa data do New Libertarian, iniciou sua própria revista libertária centrista, o Liberty. Resumidamente, foi inclusivo mas rapidamente removeu Rothbard e Konkin (Bradford alegou que um conselho editorial que ele criou tinha responsabilidade, não ele). O movimento definiu-se entre o agorista/ inclusivo New Libertarian, paleolibertário [N. T.: paleolibertário é um libertário que adota certas posturas, tanto social quanto econômica, semelhantes à direita. É uma forma não depreciativa do rótulo “right-libertarian” (libertário de direita)] Rothbard-Rockwell Report e a neoconservadora Reason. Em 1991, a Reason, sob sua nova editora, Virginia Postrel, cruzou a linha e se tornou a única publicação a ser vista por alguns como libertária a endossar a Guerra do Golfo. Mesmo o ex-editor da Reason, Robert Poole, e Ed Crane, do Cato Institute, se opuseram contra manobra imperialista sem chance de ser apoiada.
Quando os agoristas retornaram ao ativismo em 1994, eles encontraram um movimento mudado – mas não vitorioso, como tinham assumido que seria. A revista Liberty estava reconstruindo o objetivismo e a vida pessoal de Ayn Rand repetidas vezes, com ataques sarcásticos insípidos pelo covarde pseudônimo de “Chester Alan Arthur” substituindo a análise política (ou anti-política). O Partido Libertário tinha concorrido as eleições com um representante completamente canalha e fraudador de fundo partidário, Andre Marrou, para presidente em 1992. Jeff Friedman estava editando um “jornal teórico” alegando que o libertarianismo era baseado no igualitarismo (um dos ensaio e livro de Murray Rothbard e foi intitulado como O Igualitarismo Como Uma Revolta Contra a Natureza) e abraçando traços do desconstrucionismo, pós-modernismo e até mesmo do progressismo. E, ao invés de reunir as forças da esquerda desmoralizada e des-socializada para a bandeira (negra) libertária, quase todas as facções foram se aproximando às (diferentes) partes da já vitoriosa, portanto, desdenhosa direita estatista. A razão foi perdida completamente do libertarianismo, assim como a revista Reason [N.T. Aqui Samuel Konkin faz um trocadilho entre a palavra razão, “reason” em inglês, e a revista de mesmo nome].
Com Chris Hitchens e Alex Cockburn apelando por um retorno da Nova Esquerda/ Libertarian Alliance, na CSPAN, e em publicações de esquerda, Samuel Konkin e o revivido Movement of the Libertarian Left responderam positivamente com o panfleto “What’s Left?” e em encontros subsequentes do Karl Hess Club (sucessor do anti-partidário Libertarian Supper Club, de Los Angeles, e Albert J. Nock/ H. L. Mencken Fora). Mas a turma libertária original se enfraqueceu consideravelmente. Robert LeFevre tinha morrido em 1986, Karl Hess nos deixou em 1994 e Murray Rothbard tinha morrido em Janeiro de 1995. A luta pelas mentes (o que restou deles) e corações do movimento libertário foram ocupadas.
O New Isolationist se reviveu primeiro, depois o tão esperado Agorist Quaterly, o jornal teórico The Agorist Institute desafiou o Critical Review de J. Friedman e iniciou o desenvolvimento das instituições de contra-economia e o resto do agorismo. Finalmente o New Libertarian voltou a colocar movimento na linha novamente com a edição do New Libertarian 187, em Dezembro de 1996 (datado de Abril de 1997). Dissidentes, vendidos e os partidários de aluguéis ficaram atemorizados. Os defensores radicais e inflexíveis da liberdade, bem como aqueles que tinham sido impedidos de fazer parte das publicações libertárias dominantes por seus pontos de vistas individualistas e não-conformistas, alegraram-se.
E todos eles se voltaram aos arquivos em formato PDF (do Acrobat Reader), moveram-se para a World Wide Web do ciberespaço libertário e viveram felizes para sempre…
N. T: Samuel Edward Konkin III faleceu em 23 de Fevereiro de 2004.
Traduzido por Rodrigo Viana

Samuel Edward Konkin III foi teórico anarquista, ativista político, fundador do movimento esquerdista do libertarianismo e criador da teoria do Agorismo.
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