4 Sinais de que o Brasil está na Contramão do Mundo

por  Bruno Peitl (publicado originalmente no site porcocapitalista.com.br)

 

Enquanto no mundo todo, o intervencionismo estatal na economia está desgastado e dá sinais de que não poderá se sustentar por muito tempo, no Brasil, a fé nos dogmas socialistas e no estado regulador é maior do que nunca.
Abaixo, enumerei quatro fenômenos bastante recentes, considerando o atraso com que os debates chegam ao Brasil, que mostram que a mentalidade dominante aqui se recusa a perceber aquilo que o mundo inteiro está percebendo: Que o socialismo não funciona e que não se pode ignorar as insensíveis leis do mercado sem severas consequências.
1. Países socialistas que se tornaram motivo de piada ainda são vistos como modelos no Brasil

Não se pode mais ignorar o caos econômico que se instalou em países como Argentina e Venezuela. A escassez de bens na Venezuela não pode mais ser escondida. Para tentar resolvê-la, o próprio governo venezuelano teve de admiti-la.
Foi isso que aconteceu quando o próprio Chavez veio à público pedir banhos de 3 minutos ou quando Maduro pediu ajuda ao governo brasileiro para se abastecer. Um dos bens que se tornaram raridade foi o papel higiênico, fonte rica para muitas piadas que circularam nas redes sociais. Os chavistas poderiam negar o fato se o próprio governo não tivesse invadido e estatizado uma fábrica deste indispensável produto.

O governo tomou a iniciativa patética de tentar censurar notícias sobre a escassez, admitindo assim definitivamente, seu caráter autoritário.
O apoio popular atribuído ao chavismo passou a ser seriamente questionado depois que Maduro venceu as eleições por uma margem extremamente estreita e ainda sob fortes evidências de fraude.

Para ajudar o socialismo do século XXI a parecer ainda mais caricato, vieram as notícias de que Chavez aparecera a Maduro na forma de um passarinho e de que Maduro culpara o Homem Aranha pelos altos índices de violência no país. (Que tem o 5º maior índice de homicídios do mundo)

Ainda assim, existem professores universitários no Brasil que tem na Venezuela, um dos melhores exemplos de progresso social dos últimos anos e que tal modelo deveria ser implementado no Brasil. É fácil defender a Venezuela quando se está com o fiofó limpinho.

Na Argentina a decadência é tão visível que hoje pouca gente ousa defender abertamente o que foi feito lá. Mas a esquerda brasileira não pode negar que a dinastia Kirchner é sua cria e que até poucos meses atrás, víamos jornalistas e intelectuais elogiando a valentia do governo argentino em desafiar o malévolo “capital internacional”.

Outro governo que se tornou motivo de chacota foi o da Coréia do Norte e acreditem, não é só por causa da aparência, por sí só engraçada, do mandatário gorducho.
O barulho em torno de armas nucleares que seriam desenvolvidas no país se parecia muito mais com uma criança mimada fazendo birra pra conseguir alguma coisa do que com uma ameaça séria.
A completa impossibilidade de se saber o que se passa dentro do país é uma evidência clara de que as coisas não vão nada bem. Qualquer visitante que raramente consegue entrar no país tem a nítida sensação de que transita por um enorme teatro e que basta esticar o braço e empurrar para ver o enorme cenário de papelão desmoronando. Mas isso não é possível quando se está acompanhado de um guarda / guia turístico o tempo todo.

Mas o que tornou o país tão desprezível, tanto para a direita quanto para a própria esquerda ocidental, é que lá, você pode ser fuzilado tanto por portar uma Bíblia quanto por produzir pornografia. É uma distopia pra ninguém botar defeito.

No Brasil, estudantes universitários, aqueles que deveriam ser a elite pensante do país, se reúnem para discutir o socialismo Juche e tecer elogios ao regime mais tirano do mundo atualmente.

 

2. Os países escandinavos estão reduzindo o Welfare State

Se não bastasse a confusão falaciosa que a esquerda faz entre socialismo e o estado de bem estar social escandinavo, falam deste último como se fosse a mais nova, moderna e bem sucedida forma de promover o bem estar e a felicidade geral da nação que existe.
Novamente estamos preocupados em levar o fubá quando todos já estão comendo o bolo.

Noruega, Dinamarca, Suécia e Finlândia conseguiram aquilo que os socialistas julgam ser o paraíso terreno: Saúde, educação, habitação e saneamento para todos, distribuição de renda e prosperidade econômica.
E fizeram isso não através do socialismo, mas através de um estado de bem estar social instalado dentro de uma economia tipicamente capitalista.

No entanto, o que a esquerda não conta é que, primeiro, prosperidade econômica não convive muito bem com distribuição de renda. Os países escandinavos só conseguiram a primeira quando começaram a abandonar a obsessão em conseguir a segunda.
Na década de 70, o Welfare State sueco era muito maior do que hoje. Nesta época, o país foi assolado por uma severa depressão que unia inflação e baixo crescimento ao mesmo tempo. Para reverter a situação, o país vem reduzindo o assistencialismo gradualmente desde então, em especial desde 2006 quando, depois de muitos anos, o partido de direita venceu as eleições e iniciou profundas reformas liberais. Algo bastante semelhante vem acontecendo na Dinamarca.

Em segundo lugar, o welfare state parece não ter funcionado com igual sucesso em todos os países que o adotaram. Está cada vez mais claro que a situação complicada dos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) nasceu de sua dívida pública astronômica, que por sua vez, surgiu de um estado de bem estar social incompatível com suas respectivas realidades econômicas.

Nem todos os cidadãos europeus parecem convencidos de que distribuição de renda é o mesmo que justiça social e cada vez mais, vêm questionando o welfare state e vendo nele uma mera forma de assistencialismo.

3. A China mergulha de cara no capitalismo

Que a China, nominalmente comunista, só começou a crescer depois de uma pequena abertura na economia, a maioria já sabe. Mas o que muitos ainda se recusam a ver é que esta abertura não é mais tão pequena e segue aumentando.

Se para a esquerda brasileira, a China é um exemplo de eficiência do capitalismo de estado, para o próprio governo chinês, o modelo está começando a se esgotar e uma maior liberalização da economia é a única saída.

As reformas liberais na China já estão em pleno andamento e dentro de pouco tempo, se este país ainda parecer mais centralizador do que o Brasil, será única e exclusivamente devido à sua política, ainda bastante autoritária.

4. Cuba será a nova China

O socialismo cubano ainda é visto como modelo pela esquerda brasileira, a despeito de seus cidadãos arriscarem a vida para fugir do país, atravessando o mar em barcos de isopor rumo ao Império Maligno Norte Americano.

Por ter durante ano, resistido como um dos últimos bastiões do velho socialismo, é quase impossível para a nossa esquerda conceber que Cuba se tornará inevitavelmente capitalista. No entanto, depois que o próprio Fidel admitiu que o modelo de Cuba já não serve nem pra ela mesma, é isto já começa a acontecer com a privatização de restaurantes e a abertura do mercado de automóveis, embora ainda totalmente inacessível para a baixíssima renda dos habitantes da ilha.

O mais provável no entanto, é que a abertura se dê gradualmente, primeiro com um capitalismo de estado nos moldes chineses e explorando áreas de maior abertura, as regiões econômicas especiais, exatamente como fez a China durante o governo de Deng Xiaoping

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