Cultura Livre: Bastiat dá Samba!

por Marília Rodrigues (publicado originalmente em cidadedeideias.wordpress.com)

 

Mais uma sexta-feira, caros leitores.

E hoje, com um livro bem pequeno, discreto, fininho, que passaria despercebido, inclusive. Mas se ousarem abri-lo, ah! Vocês vão sentir o poder e a força de nosso amigo Monsieur Frédéric Bastiat.

Cara de Fofinho.
Cara de Fofinho.

A sugestão de hoje é “A Lei”, obra prima do economista e jornalista francês que, apesar do nome, não vai interessar só aos juristas e acadêmicos de direito, mas para todo mundo. Do aposentado ao estudante, do empresário ao aprendiz.

O livro tem pouco mais de 50 páginas e seria leviano apontar só um ou dois pontos extraordinários, já que ele todo é sucinto e objetivo, tornando sua leitura absolutamente importante para todos que estão conhecendo a visão libertária, tanto política quanto economicamente. Um aspecto que gosto muito na obra é o quão espirituoso Bastiat é, acrescenta várias perguntas retóricas e em alguns momentos até “alfineta” os colegas.

É nesse livro que Bastiat fala sobre a Espoliação Legal ou Pilhagem Legalizada, um conceito famoso entre os libertários, que explica como o governo usa o poder de leis que deveriam proteger o indivíduo para lhes tirar sua liberdade e propriedade e repassar para outros.

“Mas como identificar a espoliação legal? Muito simples. Basta verificar se a lei tira de algumas pessoas aquilo que lhes pertence e dá a outras o que não lhes pertence.”

Atual como vários programas governamentais, não é mesmo?

No tópico “A ideia do Super-Homem”, o autor discorre sobre o comportamento daqueles que chama de ‘organizadores da sociedade’, questionando se eles seriam diferentes dos outros a ponto de terem de fato a propriedade de determinar o que é melhor para os outros:

“As pretensões dos organizadores da humanidade dão lugar a outra pergunta, que, com frequência, lhes tenho feito e à qual, pelo que sei, nunca foi dada resposta. Assim, se as tendências naturais da humanidade são tão más que se deve privá-la da liberdade, como se explica que as tendências dos organizadores possam ser boas? Por acaso os legisladores e seus agentes não fazem parte do gênero humano? Será que se julgam feitos de barro diferente daquele que serviu para formar o resto da humanidade?
Dizem que a sociedade, abandonada à sua própria sorte, corre fatalmente para o abismo, porque seus instintos são perversos. Pretendem detê-la nesta corrida, imprimindo-lhe nova direção. Eles receberam então do céu inteligência e virtudes que os colocam fora e acima da humanidade. Que nos mostrem seus títulos! Querem ser pastores, querem que sejamos rebanho. Este arranjo pressupõe neles uma superioridade de natureza, para a qual temos o direito de previamente exigir provas.”

Outro ponto com ligação direta ao nosso 2014, quando vemos as intervenções estatais pipocarem em todo o mundo, e sempre aparecendo como a salvação da lavoura. E nem precisamos ir muito longe para conferir esse comportamento. Nas escolas de ensino superior do país chovem protestos de grupos que acreditam piamente estar fazendo o que é melhor para coletivo, sem nem perguntar o que é mesmo que o coletivo quer.

A Lei foi o último livro escrito por Bastiat, que morreu aos 49 anos, de tuberculose (No surprise!). Muito importante lembrar que o livro foi escrito após a última Revolução Francesa, recebeu influência de artigos de John Locke e influenciou o autor de “Economia em uma única lição”, Henry Hazlitt.

Bastiat não era um rebelde sem causa. Trabalhou como exportador desde os 17 anos e cuidou dos negócios de sua família. Via na rotina do seu trabalho os efeitos de ideias socialistas. É autor com conhecimento prático da causa. E fico imaginando se ele não se revira no tumulo quando sabe que da França de Monsieur Hollande os empresários e milionários preferem manter distância…

E como é sexta, dia de alegria, deixo aqui um samba do Acadêmicos de Milton Friedman. Até a próxima!

A Lei/ Frédéric Bastiat
Instituto Ludwig von Mises Brasil
Para ler ouvindo: Acadêmicos de Milton Friedman
Valor: entre R$18 e R$20. Tem PDF outras versões para e-reader gratuitas no Mises Brasil.
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