Salários baixos, culpa do Estado e dos sindicatos

por Mateus Maciel (originalmente publicado no site liberzone.com.br)

 

Um dos grandes mitos do capitalismo é de que os empresários pagam salários baixos aos seus empregados para assim aumentarem seus lucros. Tal afirmativa parece ter lógica, uma vez que os salários possuem uma grande importância na composição dos custos das empresas em geral, entretanto tal assertiva não leva em consideração a teoria dos salários de eficiência.

A busca pelo lucro é uma das peças principais para o êxito de qualquer empreendedor, uma vez que, se este não tivesse o incentivo de ganhar dinheiro, pra que se arriscaria em um empreendimento? Portanto, o empreendedor está constantemente procurando meios de aumentar sua margem de lucro e, para tanto, o mesmo pode reduzir os salários de seus funcionários, ou até mesmo demiti-los. Ainda assim, o empresário toma essa atitude quando não possui outra saída, já que conhece a teoria dos salários de eficiência. Esta teoria diz que se o empresário pagar salários superiores ao da média, a produtividade por trabalhador aumentará, elevando o lucro da empresa.

Se seguirmos a lógica do primeiro parágrafo, essa teoria não faz o menor sentido. Entretanto, pense bem caro leitor. Imagine que você trabalha para uma grande empresa de chips e sua produção é de cerca de 100 chips por dia. Seu chefe faz um anúncio prometendo dar uma bonificação aos empregados que conseguirem produzir o dobro de chips por dia. Você não tentará atingir essa meta para receber a bonificação? No final, você será recompensado e a empresa aumentará a sua produção. Logo, empregado e patrão saem ganhando. Há ainda quatro motivos pelos quais os empresários pagam salários maiores que o da média de mercado aos seus funcionários:

Saúde

Trabalhadores bem pagos conseguem se alimentar melhor e, por consequência, são mais saudáveis e produtivos. Dessa forma, o empresário reduz os riscos de saúde dos empregados, fazendo com que estes não se ausentem.

Rotatividade

Mudar de emprego é algo bastante comum, mas isso pode ser muito ruim para as empresas, já que estas podem perder bons trabalhadores. Os empresários, para evitar a rotatividade, elevam os salários de seus empregados e passam a pagar mais que os seus concorrentes. Além disso, trabalhadores que estão na empresa durante um maior período de tempo tendem a ser mais produtivos que os recém-contratados, uma vez que aqueles já conhecem mais os processos produtivos do estabelecimento. Empresas onde a rotatividade é alta tendem a registrar custos de produção mais elevados, o que não é interessante para os empresários.

Esforço

Até mesmo os empregados que forem pegos produzindo além de sua capacidade física podem ser demitidos, uma vez que podem ter problemas de saúde que terão de ser arcados pela empresa. Para resolver esse problema, as empresas pagam um salário maior aos empregados para que estes não fiquem ansiosos em produzir mais que a sua capacidade física lhes permite.

Qualidade do empregado

Funcionários mais qualificados tendem a ser mais competentes que os que possuem pouca ou nenhuma qualificação. Contudo, o primeiro grupo aceita trabalhar por um salário maior, enquanto o segundo aceita uma salário mais baixo, por conta da diferença de qualificação.

Caso uma empresa esteja contratando por um salário muito baixo, a tendência é que esta contrate empregados menos qualificados e pouco produtivos. Tal fato pode acarretar em custos maiores para essa empresa. Entretanto, quando esta contrata anunciando um salário mais alto, a tendência é que uma mão de obra mais qualificada seja contratada, o que aumenta seu lucro.

A teoria é linda, mas funciona na prática?

Um ótimo e clássico exemplo de que pagar salários mais altos aos empregados eleva a sua produtividade, assim como os lucros da empresa, é a política de U$ 5,00/dia adotada por Henry Ford.

Ford é conhecido por ter popularizado o automóvel que passou a ser produzido na linha de montagem das fábricas da Ford Motor Company. Em 1914, Ford inovou mais uma vez introduzindo a política salarial de U$ 5,00/dia que era muito maior que os salários de outras empresas. Vale ressaltar que U$ 5,00 no início do século XX valiam muito mais que atualmente.

Com essa nova política, Ford conseguiu reduzir a rotatividade, aumentou a produção por trabalhador, reduziu os custos de produção e, consequentemente, aumentou o lucro de sua empresa. Segundo o próprio empresário, tal política foi “um dos mais perfeitos métodos de corte de custos já aplicados”.

Mas por que os salários no Brasil são tão baixos?

Antes de responder a essa pergunta, seria interessante respondermos a outra: o que eleva os salários? A produtividade da mão de obra é um fator importante, uma vez que quanto maior for a receita gerada para a empresa pelo trabalhador, maior poderá ser o seu salário. Contudo, a produtividade deste está relacionada com a capacidade técnica e com a quantidade de capital utilizado pela empresa.

A questão da educação no Brasil já é um tema que o leitor deve estar cansado de ouvir e falar sobre, logo creio que não seja interessante dissertar sobre os benefícios de se ter uma população com um grau técnico elevado. Há uma série de gráficos e pesquisas no meio acadêmico que mostram o quão ruim é nossa educação.

A questão do capital é de extrema importância, uma vez que quanto mais capital o empresário acumular, mais ele poderá investir em bens de capital (máquinas, ferramentas, estoques, etc.) no futuro e aumentar a sua produção. Entretanto, a quantidade pornográfica de impostos acaba invariavelmente reduzindo a poupança dos empreendedores. Dessa forma, estes sustentam os burocratas de Brasília e programas ineficientes de transferência de renda. Os encargos trabalhistas, ou as famosas conquistas da classe trabalhadora, também reduzem a poupança do empresariado, pois não existe almoço grátis.

Todos esses fatores juntos acabam por reduzir a produtividade do trabalhador brasileiro, assim como o seu salário.

produtividadetrabalhor

Conclusão

Os empresários sabem que não é interessante pagar salários baixos para os empregados, uma vez que isso reduz a produtividade destes. Contudo, em um sistema onde os fatores que aumentam a produtividade são achatados pelo estado e por minorias que gostam de privilégios, também conhecidos como sindicatos, não há como os salários serem altos.

Muitos podem alegar que existe exploração e ganância por parte dos empregadores e pedem cada vez mais intervenção do estado e benéficos. Esses seres benevolentes que não compreendem como as forças do mercado funcionam estão dando um tiro, não apenas no próprio pé, mas no de milhões de trabalhadores.

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