4 coisas que o liberalismo não é

Quando converso com pessoas próximas, percebo sempre uma confusão a respeito do que significa ser liberal. Por isso, listarei aqui os equívocos mais comuns que ouço e tentar desfazê-los.

1) Liberalismo não é conservadorismo – Os conservadores têm visões liberais no campo econômico, mas no campo social, a maioria (não são todos) é intervencionista e defende que o Estado atue na esfera das escolhas individuais, por exemplo, defendendo a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou o aumento do investimento na guerra às drogas. O conservadorismo têm figuras de grande visibilidade, como Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho, Paulo Eduardo Martins entre outros, o que, por vezes, aumenta a confusão. O liberalismo prega o respeito total às escolhas individuais (desde que não afetem o direito de outras pessoas), tanto no campo econômico, quanto no campo social.

2) Liberalismo não é anti petismo – Essa confusão tem muito a ver com o fato de os petistas tacharem seus oposicionista, principalmente o PSDB, como “neoliberais”. Dessa forma, muitas pessoas associam o liberalismo a uma oposição ao partido dos trabalhadores. De fato, existem muitos liberais que se opõem a várias políticas do PT, mas o fato de alguém não concordar com os pontos de vista petistas não o faz um liberal. Como disse antes, o liberalismo é pautado pela defesa do indivíduo contra a opressão do coletivismo e do estatismo. Se o PT defender pontos de vista nesse sentido, os liberais estarão ao seu lado.

3) Liberalismo não é defesa das grandes empresas – As maiores corporações são as mais interessadas em criar regulações que impeçam novos competidores de entrarem em seu mercado. Dessa forma, elas investem fortemente em lobby para conseguir que políticos defendam seus interesses contra os demais empreendedores. O liberalismo é totalmente contra esse comportamento corporativista e promíscuo entre grandes empresas e o Estado. Kevin Carson inclusive defende que essas companhias só são tão grandes por conta do apoio do governo. Sem as regulações e a burocracia estatal, a competição seria mais forte e o mercado seria formado somente por médias, pequenas e microempresas, o que permitiria um atendimento de maior qualidade e mais personalizado.

É exatamente essa proteção estatal que permite que mega corporações desrespeitem os consumidores sem se preocupar em perder clientes. Por exemplo, se houvesse menos barreiras regulatórias e burocráticas para novos entrantes, as telefônicas seriam muito mais cuidadosas com as críticas de seus usuários.

4) Liberalismo não é defesa da ditadura militar – Essa talvez seja a mais irracional das confusões. Pode-se creditar essa visão ao fato de alguns políticos, com visão liberal no campo econômico, terem feito elogios ao governo dos generais, como foi o caso de Roberto Campos. Contudo, o liberalismo é contra qualquer forma de restrição aos direitos individuais e, por isso, opõe-se radicalmente a qualquer tipo de ditadura, seja de direita, de esquerda ou de centro.

Planejamento central é algo que nenhum liberal defende, pois, como afirma Hayek, a informação é sempre incompleta e imperfeita. Dessa forma, nenhum grupo de indivíduo é capaz de dominar todo conhecimento necessário para tomar decisões boas para todos. Assim, a forma de obter o maior benefício coletivo é confiar na ordem espontânea e no processo de mercado, que permite um intercâmbio livre de informações.

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