“Explica, mas não justifica, aluno. Nome e número.”

POLICEPor Jopa Velozo

Escutei isso, pela primeira vez, quando eu tinha 11 anos. Eu tinha acabado de entrar no imperial colégio militar do rio de janeiro e era meu segundo dia na semana de adaptação. O sargento estava fingindo que estava incomodado por eu não ter cortado o cabelo, conforme ele havia ordenado no dia anterior aos novos alunos. Expliquei, então, que não tinha tido tempo e ele me respondeu que aquilo explicava, mas não justificava. Assim, fui anotado para ser punido.

Isso me lembra do camelô morto por um policial há alguns dias em são paulo. Confundem agir impulsivamente com agir profissionalmente. Um coisa que explica nem sempre justifica. Estou há alguns dias vendo pessoas explicando que a situação era delicada, porém, ignoram que o erro explicado não está justificado. A ação impulsiva, no momento de adversidade, não é sinônimo de profissionalismo, mas de despreparo e de falta de competência no exercício da sua função, que é prover segurança. A morte do ambulante foi obviamente desnecessária. Me surpreende – embora não surpreenda, na verdade – que muitos militares se esqueçam do que sempre repetiram. É muito raro encontrar um militar que se coloque em discordância com a ação de outros militares, quando há casos de abuso, e que não fique dando mil explicações, numa tentativa de justificar o injustificável, sobre os riscos de suas funções, como se não fossem treinados exatamente para isso. Aceitar que a morte foi desnecessária é assumir que melhorar é uma necessidade.

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