Por que vemos tantos ataques nos debates políticos?

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Se você assistiu o debate presidencial ontem na Rede Globo, percebeu uma quase ausência de propostas, contrastando com uma prolífica quantidade de ataques entre os candidatos. Quem queria conhecer os planos de governos para decidir seu voto, teve que se contentar em se divertir (ou se revoltar) com o embates e trocas de acusações.

O objetivo número 1 nesses eventos é estigmatizar o adversário e se colocar como representante do bem. Mas por que isso acontece? Na minha opinião, os participantes escolhem os ataques, porque eles estão focados no campo emocional, o que aumenta as chances de gerar engajamento. Já o embate de propostas está circunscrito ao campo racional, exige que o eleitor pese os prós e os contras de cada proposição para tomar sua decisão.

Tendo em vista o pouco tempo que os candidatos têm para expor ideias (no máximo 1:30 min) e o momento em que é realizado o debate (a três dias da eleição), não é de se admirar que os debatedores se transformem em gladiadores (afinal de contas, só um sairá “vivo” da disputa).

Outra explicação nos é dada pelo economista e ganhador do prêmio Nobel, Friedrich Hayek. Ele aponta que:

Quase por uma lei da natureza humana, parece ser mais fácil aos homens concordarem sobre um programa negativo — o ódio a um inimigo ou a inveja aos que estão em melhor situação — do que sobre qualquer plano positivo. A antítese “nós” e “eles”, a luta comum contra os que se acham fora do grupo, parece um ingrediente essencial a qualquer ideologia capaz de unir solidamente um grupo visando à ação comum. Por essa razão, é sempre utilizada por aqueles que procuram não só o apoio a um programa político, mas também a fidelidade irrestrita de grandes massas. Do seu ponto de vista, isso tem a vantagem de lhes conferir mais liberdade de ação do que qualquer programa positivo.

Ou seja, o foco não é ampliar a quantidade de eleitores que concordam com suas propostas, mas sim elevar o número de pessoas que rejeitam seus adversários. O resultado é uma eleição no qual quem ganha é o menos pior e não o que possui as melhores propostas.

Outro ponto negativo desse tipo de estratégia é o acirramento dos conflitos na sociedade, que alimenta um patrulhamento ideológico e a destruição de pontes que permitem o diálogo.

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