O poder da vizinhança – liberdade exige mão na massa

Uniao

Por Pedro Valadares

Os autores americanos Karl Hess e David Morris escreveram em 1976 um livro intitulado “O poder da vizinhança”, no qual eles demonstram a importância de fortalecer a relação entre vizinhos e trabalhar na escala local. Eles lembram que a democracia é o governo dos indivíduos e grupos organizados e ativos. Aqueles não se engajam e não se unem ficam sem voz.

Perceba que o livro foi escrito há quase 40 anos, mas a mensagem continua totalmente atual. Apesar disso, muita gente ainda acha que as soluções virão de ações individuais ou de instâncias nacionais. Território sem coesão social, sem interação entre os diferentes segmentos, é um território a reboque, pois nunca terá força para construir e defender uma proposta de desenvolvimento baseada na sua especificidade.

O maior desafio desse processo é dar o primeiro passo. Muitos não sabem por onde começar. Uma alternativa interessante é iniciar com uma pesquisa sobre o que existe no território. Assim, é possível traçar um caminho, reconhecer as lideranças, as potencialidades, as maiores dificuldades.

Um segundo passo é tentar reunir as pessoas para saber quais são os objetivos comuns e também identificar as competências já existentes no território. A etapa seguinte é ir atrás de parceiros que possam suprir o que falta na região. Por exemplo, identificou-se a necessidade de melhoria na gestão dos pequenos negócios da região, pode-se buscar instituições que trabalhem com esse ponto ou pode-se organizar um currículo baseado em material disponível online. Já se o problema for inovação, pode-se tentar parcerias com institutos e universidades. Se o problema for crédito, o caminho é conversar com bancos e cooperativas, criar fundos  e bancos comunitários, recorrer a moedas sociais e assim por diante.

Outro passo importante é criar um mecanismo de comunicação, que vai ajudar a disseminar as informações e a manter o engajamento das pessoas. Não é necessário algo sofisticado. Murais na prefeitura e nas igrejas, informando a data das licitações, cartazes nas escolas ensinando empreendedorismo, carros de som, informes na rádio local etc. Além disso, a internet abriu diversas possibilidades simples e gratuitas de canais de comunicação, como blogs e redes sociais, como Facebook, twitter e youtube, que permitem criar espaços de interação entre os atores da comunidade.

Aqueles que acreditam no desenvolvimento econômico local e na liberdade dos indivíduos devem trabalhar para resgatar o papel da vizinhança. Para criar um ambiente favorável para o desenvolvimento do nosso território, é necessário conhecer quem está ao nosso lado para que possamos identificar os pontos comuns e amplificar nossas vozes. Só assim será possível gerar uma mudança definitiva e sustentável.

Como bem destaca Karl Hess:

O Libertarianismo é um movimento popular e um movimento de libertação. Ele procura um tipo de sociedade livre, não coercitiva, na qual as pessoas, vivas, livres e distintas, possam se associar livremente, desassociar, e, como bem julgarem, participar nas decisões que afetam suas vidas. Isso significa um verdadeiro livre mercado em tudo desde idéias até idiossincrasias. Significa pessoas livres coletivamente para organizar os recursos de sua comunidade mais próxima ou organiza-los individualmente; significa a liberdade de ter um judiciário baseado e apoiado na comunidade aonde desejado, nenhum onde se preferir, ou serviços de arbitração privada aonde isto é visto como mais desejável. O mesmo com a polícia. O mesmo com escolas, hospitais, fábricas, fazendas, laboratórios, parques e pensões. A liberdade significa o direito de moldar suas próprias instituições. Ela se opõe ao direito dessas instituições te moldarem simplesmente graças a um poder acumulado ou status gerontológico.

Libertarianismo não é sinônimo de egoísmo. Existem diversas formas de promover o desenvolvimento do seu bairro, da sua cidade e do seu território sem precisar recorrer ao poder estatal. Para isso, é necessário colocar a mão na massa e conversar com seus vizinhos. Como bem destaca David Moris, “a teoria é atraente, embora provavelmente mais porque ela permite que a maioria das pessoas evitem fazer o trabalho duro em nível local, enquanto tentam refinar sua retórica e  suas ideias até alcançarem a posição final ‘correta’”.Muita gente acha que vai mudar mundo, antes de mudar a própria vizinhança. Isso acontece porque é muito mais confortável trabalhar no terreno das críticas do que no terreno da prática.

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