Sobre o definhamento da programação infantil na TV

Por Pedro Valadares

desempregadosHoje é dia das crianças, mas na TV haverá pouca ou nenhuma programação voltada para esse público. Nada de desenhos. Essa situação é um efeito direto da Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria de Direitos Humanos . Esse documento “dispõe sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente”. Em outras palavras, restringe a propaganda de produtos e serviços para crianças na televisão.

Tomemos como exemplo a programação da maior emissora do país, a Rede Globo. Quem não se lembra da maratona de desenhos animados nas manhãs? Da TV Colosso, do programa da Xuxa, da TV Globinho, entre tantos outros. Agora, a criança que ligar a TV pela manhã vai dar de cara com Fátima Bernardes e companhia. O máximo de diversão que ela encontrará será o Louro José fazendo piadas, enquanto Ana Maria Braga cozinha.

Ao tentar controlar os estímulos consumistas gerados pelas propagandas, o estado invade a esfera da família, que é a verdadeira responsável pela educação das crianças. Ou seja, o governo considera que burocratas da Secretaria de Direitos Humanos são mais capacitados para decidir o que é melhor para as crianças do que seus próprios pais.

Outro efeito nefasto é o estreitamento do mercado para as pessoas que trabalhavam em programas infantis. Produtores, apresentadores, roteiristas, criadores de desenhos animados entre outros têm agora menos espaço para mostrar seu trabalho, já que os canais pagos têm grande parte de sua programação produzida no exterior.

O pior de tudo é que o consumismo infantil seguirá firme e forte, como bem destaca Joel Pinheiro da Fonseca:

Com ou sem propaganda, o consumismo infantil permanecerá.  A criança tem pouco controle sobre seus desejos.  Por isso gasta-se tanto com publicidade para elas.  Comidas gordurosas e com muito sal ou muito açúcar atraem muito mais do que legumes.  Caubóis e super-heróis atraem mais do que ambientalistas e filósofos.  Brinquedos novos, modernos e cheios de apetrechos — e jogos eletrônicos — atraem mais do que os artefatos nostálgicos de gerações passadas.

(…)

As crianças aprendem a lidar com a publicidade. Não dá para abolir tendências biológicas e culturais fortes com uma canetada. O que dá para fazer é ver que tipos de educação e formação ajudam a lidar com os muitos apelos e tentações do mundo — e que também têm seu lado bom: para muitos, algumas doses de prazer mais do que compensam decisões sub-ótimas do ponto de vista da saúde.

Em resumo, para conter os impulsos consumistas das crianças, o caminho não é banir publicidade, mas educar as crianças a controlarem seus desejos e entenderem que não podem ter tudo que querem.

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