Propaganda do PT: A Militância Nunca Teve uma Aula de Inteco

Por Matheus Raposo

Tenho alguns amigos petistas (sim, não acabei minhas amizades por simples discordância ideológica) e vira e mexe me deparo com alguma imagem, texto ou link atacando as altas taxas de juros no governo FHC. Aqui não vale dizer o porquê foi necessário a exorbitante taxa de juros praticada no governo do Principie dos Sociólogos para segurar a inflação impulsionada pela pressão cambial.

Pelo contrário, o assunto aqui a ser tratado é mais gritante e assustador quanto complexas discussões de política macroeconômica, mas sim atestar que a militância petista nunca fez uma aula de Inteco (Introdução a Economia), consequentemente, nunca viram uma curva de oferta e demanda. Passaram mais tempo propagando cegamente as “conquistas” do partido que esqueceram de pensar por si mesmo.

Creditam as altas taxas de juros no período FHC, quando o povo era “refém” dos banqueiros, aos interesses destes mesmo banqueiros para elevar seus lucros. É de uma ignorância tão grande para quanto a teoria e para quanto os fatos empíricos que é necessário lembrar a frase do saudoso Roberto Campos:

“– O PT é o partido dos trabalhadores que não trabalham, dos estudantes que não estudam e dos intelectuais que não pensam.”

Para começo de conversa com a militância: não é porquê um bem tem seu valor elevado que necessariamente o lucro do ofertante será elevado. Por exemplo, existem bens (os bens normais) que quando têm seu valor reduzido a demanda por esses bens aumenta, ou seja, a população tem seu poder de compra elevado e poderá comprar uma maior quantidade do determinado bem.

No caso dos juros dos bancos é uma irresponsabilidade dizer secamente que um aumento nos juros aumentará o lucro dos bancos. Um aumento nos juros dos bancos irá reduzir a demanda por juros, ou seja, a quantidade de empréstimos feitos tende a ser menor e com isso a quantidade arrecadada também. O contrário também ocorrerá: um bem pode ter seu valor reduzido, mas a quantidade consumida desse bem pode ser tão grande que o lucro será maior também.

Pegando um exemplo bem simples para ficar mais claro: se o banco estipula uma taxa de juros de 40% a.a., mas só consegue fazer um empréstimo ao valor x ele terá um lucro y, sendo y igual x.0,4, (com a condição que o empréstimo seja pago ao longo de um ano). Em outro cenário e nas mesmas condições o mesmo banco poderia estipular uma taxa de juros de 30% a.a. conseguindo fazer dois empréstimos cada um no valor de x sendo z o lucro do banco ao final de um ano. Assim, z seria igual x.0,6.

Uma conta fácil de juros já mostra que mesmo com um valor ofertado menor o lucro pode ser maior se este bem for consumido em maior quantidade. Infelizmente a militância petista sequer abriu os olhos para esse fato gritante e ficam repetindo os piores chavões eleitorais sem perceber que foi justamente nos governos petistas, quando se teve a histórica redução da taxa de juros para 7,25%, que os bancos mais lucraram concedendo milhares de empréstimos a juros baixos.

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4 comentários sobre “Propaganda do PT: A Militância Nunca Teve uma Aula de Inteco

  1. Se os bancos aumentaram os juros, a demanda diminui, isso é óbvio.
    -Mas a questão aqui é: diminuir o papel dos bancos públicos como BNDES, BB e CEF.

    Ao meu ver isso seria maléfico, principalmente para minha classe empreendedora, que toma empréstimos no BNDES com uma taxa de juros de 3,6% ao ano. Tenho quase certeza que esse “diminuir o papel”, em outras palavras tem o mesmo significado de aumentar juros.
    -Pois duvido muito que o Itaú, Bradesco e os outros bancos malditos irão ser credores a uma taxa desse nível.
    -O próprio presidente do Itaú disse que é impossível competir com às taxas de juros dos bancos públicos.

    Acredito que quem administra esse site nunca trabalhou na vida; e se trabalhou deve ser um estagiário que se limitou à teoria libertária e só, sem nunca analisar quais seriam os efeitos na vida do povo e na economia.

    E antes que venham falar qualquer coisa, sou empresário, milionário, bacharel em direito pela UFSCAR. Já morei 8 anos em Miami e 2 em Mônaco. Essa ideia de Estado Mínimo no Brasil é ridícula, precisamos de um Estado genuíno, em que não haja corrupção e os recursos públicos sejam bem administrados.

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    • Parabéns se você é milionário, porém o relés estagiário aqui tem uma opinião diferente daquela dos usurpadores do dinheiro alheio. O foco do texto nem era tratar sobre a questão dos bens públicos, mas o debate se faz necessário visto a pomposidade e irreverência do meu interlocutor.

      Primeiramente: ninguém gosta de juros altos, qualquer ser humano pensante gostaria de tomar dinheiro emprestado ao menor valor possível, porém muitas vezes essa redução na taxa de juros é maléfica a economia. Por exemplo, se os níveis de poupança estão baixos, ou seja, um indicador para a elevação da taxa de juros, pois o bem a ser vendido está mais escasso seria inviável para qualquer banco manter aquele mesmo patamar sem incorrer em déficits Isso causaria uma maior criação de crédito artificial que mudaria a estrutura de capital da economia e quando a mesma não conseguisse mais absorver a inflação crescente seria necessário um arrocho no crédito ou uma disparada da inflação.

      A classe empreendedora sempre vai querer juros mais baixos, mas muitas vezes esses juros baixos são maléficos a economia. Se o Utaú ou o Bradesco não conseguem emprestar a 3,6% ao ano é por que para eles é inviável, eles quebrariam. Os bancos públicos podem emprestar quantias gigantescas aos amigos do Rei, dinheiro do povo, da população pobre, para alguns poucos milionários que querem tomar empréstimos a juros mais baixos. Mas não para por aí, pois os bancos públicos para sustentarem a farra dos milionários precisam incorrer em maiores gastos para isso se tem um aumento de impostos, para se arrecadar mais dinheiro ou uma criação maior de crédito. Impostos e inflação altos são os maiores desincentivos para investir, consequentemente, para a criação de empregos e para o aumento do salário real.

      Eu penso na economia como um todo quando digo que abaixar artificialmente a taxa de juros é uma mera medida populista para agradar uma classe social e favorecer um crescimento insustentável.

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      • Olha, vocês libertários gostam de citar aquela famosa frase do Constantino. “Não é pela benevolência do açougueiro que a carne chega a minha mesa.”
        -Mas acreditam na benevolência dos banqueiros em baixar juros, ainda mais em caso de liberdade total. No cenário brasileiro atual, com certeza, eles iriam montar um cartel/oligopólio para manter as taxas mais altas o possível, tirando ainda os bancos públicos e coibindo a entrada de outros bancos para estimular a concorrência entre eles. Isso é loucura, ainda mais no Brasil, em que banqueiros são os maiores financiadores de campanhas políticas. Aécio e Marina basicamente todo o dinheiro angariado por eles vieram de banqueiros e empresários com complô com bancos.

        Agora vamos os fatos, o BNDES teve lucro recorde em 2013, se não me engano foram R$8,15 bilhões, e à taxa de inadimplência nesse banco é quase inexistente. Menor que de todos os bancos públicos e privados. (BNDES registrou lucro de R$ 5,471 bilhões no primeiro semestre de 2014).

        Enfim, apesar de ele poder captar recursos no tesouro nacional, se alavancar até 12x nesse capital e emprestá-lo com juros de 3,6% seria loucura ir contra esse banco. Sendo que vale ressaltar que o Federal Reserve (BNDES Americano) faz empréstimos com juros em 3,0% ao ano, sendo inferior ao do BNDES.

        Os rapazes/moças que administram esse blog devem ser bastante jovens, por tanto não os culpo por acreditarem com ingenuidade no liberalismo econômico, nos meus tempos áureos enquanto estudei na UFSCAR, (1986-1991) também fui um libertário, mas cresci e vi como funcionava o mundo e acabei me tornando um social-democrata. E acredito que a maioria também se tornará. Esse liberalismo utópico só será possível dentre de 100 ou 200 anos, adjunto de um amplo avanço tecnológico.

        Nota, os pobres mais ganham do que perdem com o BNDES. Porque praticamente todas as empresas de pequeno porte (valor entre 50 milhões) estão alienadas com o BNDES ou BNDESPAR. Sem esse banco não haveria desenvolvimento econômico e social, muito menos geração de empregos e investimentos.

        Até mais meus caros!

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    • Olha, vocês libertários gostam de citar aquela famosa frase do Constantino. “Não é pela benevolência do açougueiro que a carne chega a minha mesa.”

      ^
      rapaz, essa frase n é do Constantino, ela é de Adam Smith
      errou por alguns séculos

      morou 10 anos em países com liberdade econômica muito maior que o Brasil
      e deve ter conhecimento de que a crise econômica mundial surgiu nos EUA devido a intervenção do governo, concedendo empréstimos a baixos juros a quem n teria como pagar futuramente

      eu sinceramente n tenho interesse de financiar Eikes Batistas que depois irão falir e nunca pagarão os empréstimos que fizeram, com meu dinheiro, sem meu consentimento

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