Explicando as 32 capas de jornal da época do governo FHC

FHCPor Mateus Maciel

Um artigo do site “Plantão Brasil” vem sendo compartilhado com frequência nas redes sociais. O texto de nome “32 capas de jornal que vão te lembrar do Brasil dos anos 90 e governo FHC” é dividido em seis áreas e mostra notícias da época, em relação ao desemprego, dívida externa, escândalos, privatizações e etc. Contudo, o autor simplesmente joga as imagens nos olhos do leitor e não o insere no momento econômico pelo qual o Brasil passava.

Além disso, ele induz o leitor a acreditar que as medidas impopulares do governo tucano daquela época serão adotadas hoje, caso Aécio seja eleito. Portanto, antes de começarmos a analisar cada tópico do artigo, é necessário fazermos um resumo do que aconteceu com o país nos anos anteriores ao governo de Fernando Henrique.

Um breve histórico

Durante a ditadura militar, o Brasil viveu um momento de grande intervenção do Estado na economia. Após um plano bem sucedido de estabilização, montado pelos ministros Otávio Gouveia de Bulhões (Fazenda) e Roberto Campos (Planejamento), o Plano de Ação do Governo (PAEG), as contas públicas foram organizadas e a inflação ficou sob controle.

Entretanto, com a morte do general Castello Branco, o general Costa e Silva se tornou presidente. Com isso, o Ministério da Fazenda passou a ser comandado por Antônio Delfim Netto, cuja ideologia nacional desenvolvimentista serviria aos interesses do governo, ao longo de todo o regime militar.

Delfim, que se tornou um grande czar da economia, foi um dos arquitetos do Milagre Brasileiro (1968 – 1973), cuja receita era muito simples: aumento dos gastos públicos. O Estado, então, passou a criar várias empresas estatais e construiu obras faraônicas, como a Ponte Rio Niterói, a Transamazônica e hidrelétricas (que se tornariam um problema posteriormente). Para sustentar esse aumento dos gastos públicos, a impressora de papel pintado do Banco Central passou a trabalhar arduamente. Além disso, era necessário conceder crédito a empresários alinhados com a ideologia do regime.

Após a Crise do Petróleo (1973), o governo não só passou a pedir empréstimos a bancos estrangeiros para cobrir os excessos da festa de gastos, como também para importar combustível dos árabes. Tal fato fez com que a dívida externa do país crescesse, mas o governo não via problema nisso, pois os juros internacionais estavam muito baixos.

Em 1979, contudo, quando o presidente do BC dos Estados Unidos Paul Volcker elevou a taxa de juros de seu país, os juros internacionais também subiram. Tal fato elevou a dívida externa de inúmeros países (principalmente os da América Latina), levando muitos a declarar moratória, inclusive o Brasil.

Quando o regime militar acabou e Sarney assumiu a presidência, a inflação já era uma grande e pontuda pedra no sapato da população. Para solucionar esse problema, foi lançado o Plano Cruzado que se tornou famoso por congelar preços e salários. No início, o plano teve grande apoio popular e, principalmente, de economistas heterodoxos, como Maria da Conceição Tavares. Professora da UFRJ e seguidora das ideias nacionais desenvolvimentistas da CEPAL, Tavares deu um depoimento (bastante emocionada) sobre o plano. Aloizio Mercadante, que na época era membro da CUT, também foi um defensor do plano e nesse vídeo explica o motivo pelo qual alguns produtos estavam faltando nas prateleiras dos supermercados.

Seguindo os preços das tabelas, os brasileiros puderam viver alguns meses com preços estáveis. Caso algum produto estivesse com o preço diferente do da tabela, o consumidor poderia fazer uma denúncia, que poderia culminar na prisão de gerentes e até mesmo no fechamento do estabelecimento comercial.

A luta para acabar com a inflação fez com que inúmeros planos de caráter heterodoxo fossem lançados. Cruzado II, Bresser, Verão, Collor I e Collor II. Todos eles não apenas fracassaram, como também feriram leis econômicas básicas. As equipes econômicas faziam vários diagnósticos errados, acreditando que era um problema de demanda, ou de oferta, quando na verdade era necessário acabar com a grande emissão de moeda.

O Plano Collor, apesar de ter acertado em alguns pontos como redução do Estado, abertura econômica e privatização de empresas, errou no que diz respeito ao controle da hiperinflação. De fato, havia muito dinheiro em circulação e excesso de moeda na economia gera inflação. Entretanto, a ideia de confiscar as poupanças dos brasileiros, com o objetivo de reduzir a demanda e, ao mesmo tempo, a quantidade de moeda, foi um grande crime.

No final, o plano gerou um grande descontentamento. Pessoas enfartaram, tiveram que fechar seus negócios, não puderam pagar festas de casamento e tiveram várias dores de cabeça, por conta da interferência do Estado em suas vidas.

Quando Fernando Henrique assumiu a presidência, em 1994, a inflação galopante havia sido domada. Contudo, o Estado ainda estava inchado demais, mesmo após o programa de sua redução iniciado durante o Governo Collor. Era necessário reduzir os gastos públicos, bem como a emissão de moeda, para que o plano não fracassasse como os demais.

Agora, podemos analisar cada ponto do artigo do “Plantão Brasil”.

Desemprego

De fato, o desemprego durante a gestão do PSDB foi alto. Como o governo brasileiro era (e ainda é) um dos grandes empregadores do país, as reformas de redução do tamanho do Estado culminaram em demissões em massa no setor público. Essa grande quantidade de funcionários, sustentados pelo dinheiro do pagador de impostos, já não era mais necessária para o funcionamento do governo.

Além disso, com a abertura comercial, empresas ineficientes que estavam acostumadas com a proteção do governo, passaram a ter que concorrer com os estrangeiros. Dessa forma, muitas empresas acabaram falindo, ou tiveram que reduzir o pessoal para poder enfrentar a concorrência.

A privatização de várias estatais também foi responsável pelo aumento do desemprego no período. Todas as estatais estavam operando com mais pessoal do que o necessário, sem falar que a produtividade desses trabalhadores não era alta, o que ajudava no desempenho pífio de tais companhias.

Redução do Estado, privatizações e pressão competitiva acabaram por deixar inúmeros brasileiros sem emprego. Entretanto, vale ressaltar que, caso tais reformas não fossem feitas, a estabilidade econômica que vivemos hoje não teria sido alcançada. O Estado ainda seria grande demais, gastando muito e de maneira irresponsável. Tal fato colocaria em risco todo o plano de estabilização.

Além do mais, as empresas brasileiras passaram a ser mais competitivas e eficientes, produzindo produtos e prestando serviços de melhor qualidade e mais baratos, principalmente as privatizadas. Para se ter uma ideia, a Vale, Embraer e CSN empregam hoje muito mais trabalhadores do que quando eram estatais, sem falar que geram muito mais receita para o governo (via pagamento de impostos). Por mais que o remédio fosse amargo, o Brasil precisava dele para sobreviver.

Privatizações

Essa parte do texto foca muito na possível privatização da Petrobras. Chamada de Petrossauro pelo economista e diplomata Roberto Campos, a Petrobras viveu por décadas em condições monopolistas. Como não havia concorrentes, não havia também incentivo à inovação, fazendo com que a extração de petróleo pela estatal não suprisse as necessidades energéticas do Brasil. Com o fim do monopólio da empresa em 1997, a Petrobras passou a ter que investir mais em pesquisa e inovação. O resultado disso foi um aumento expressivo da produção de barris de petróleo:

Por mais que a privatização da Petrobras estivesse dentro das reformas previstas por FHC, a mesma continuou sob controle estatal, por conta do apelo da população e de setores nacionalistas (e interesseiros) do governo e no meio empresarial. Mesmo sendo mais eficiente, produzindo e investimento mais, a empresa estatal mais famosa do país não ficou livre da ineficiência estatal.

Não é nem preciso relatar a série de escândalos em que diretores da Petrobras estão envolvidos. Investimentos ruins e superfaturados, esquemas de corrupção etc. se tornaram comuns em relação à empresa. Não podemos esquecer de que, sendo essa companhia estatal, todos somos acionistas dela (por mais que muitos brasileiros não ganhem nada com isso).

Se a Petrobras fosse privatizada, nossa gasolina não seria tão cara. Isso porque a estatal possui 100% do mercado de refino da gasolina. Ou seja, ela ainda é uma monopolista e os brasileiros pagam um alto preço por isso, ao reabastecerem seus carros em qualquer posto do país. Claro que não podemos nos esquecer dos impostos incidentes no produto em questão.

Assim como várias empresas que foram privatizadas, se a Petrobras estivesse hoje nas mãos do mercado, os benefícios que os brasileiros colheriam seriam muito maiores. Escândalos de corrupção, cabides de emprego e ineficiência operacional não seriam tolerados e o governo não usaria a estatal para fazer propaganda eleitoral, ou como moeda de troca.

Vale sempre ressaltar que todas as empresas que foram privatizadas geram hoje mais empregos e mais receita para o Tesouro, do que na época em que estavam nas mãos do Estado.

É evidente, contudo, que o processo não foi feito de forma eficiente. Muitas empresas foram vendidas a grandes grupos que já tinham ligação com o governo e muito do dinheiro arrecado foi perdido para a corrupção. Sem falar que inúmeras agências reguladoras (ANEEL, ANTT, ANATEL…) foram criadas com o intuito de manter a qualidade do serviço prestado. Porém, tais agências foram capturadas pelo setor privado, que hoje possui um grande mercado para explorar e poucos incentivos para investir em serviços mais baratos e melhores. O setor de telecomunicações é um dos melhores exemplos disso.

Qualidade vida

Nessa parte, o texto fala sobre crianças fora da escola, fome e pobreza. Novamente, teremos que analisar o passado para poder compreender os motivos pelos quais muitas regiões brasileiras viviam na miséria.

Pobreza

Regiões pobres do Brasil, como o nordeste, sempre foram grandes campos de batalha entre famílias que se revezam no poder. Esses políticos, muitos deles santificados, tinham apoio popular, uma vez que agradavam a população resolvendo problemas pontuais, ou dando cargos de confiança no governo. Os Collor de Melo de Alagoas, os Magalhães na Bahia e os Sarney no Maranhão são exemplos de famílias cujos integrantes realizavam tais práticas (e estão até hoje no poder).

Entretanto, ao passo que esses governantes davam pequenas benesses ao povo, eles também o roubavam. Nesses locais, o Estado se tornou tão grande que prefeitos, governadores, deputados, secretários e etc. conseguiam enriquecer facilmente, através de contratos com empresas de amigos da família e obras superfaturadas. A indústria da seca, talvez seja um dos esquemas mais conhecidos pelos leitores.

Além da grande corrupção nessas regiões, o Brasil viveu um forte período inflacionário, como foi dito anteriormente. A inflação não apenas corrói o poder de compra dos mais pobres, como também mata o empreendedorismo em qualquer lugar. Isso porque o empresário não sabe por quanto terá de vender sua produção, muito menos o custo futuro dos seus insumos. Ou seja, o planejamento empresarial de longo prazo se torna inviável.

Com isso, o empreendedor não pode elevar a produtividade, nem dar bonificações ou aumentos salariais aos seus funcionários. Além disso, ao passo que a inflação se torna maior, fica cada vez mais complicado contratar pessoal.

Não podemos esquecer de que o choque competitivo e os programas de redução do tamanho do Estado também geram desemprego, o que agravou ainda mais a situação que já era bastante precária. Entretanto, como foi dito anteriormente, o Brasil precisava desse remédio amargo para sobreviver.

Portanto, as políticas do governo tucano não foram as principais causas da pobreza extrema pela qual o país passava. Elas, em longo prazo, trariam mais competitividade e prosperidade a inúmeras regiões com baixos níveis de desenvolvimento. Um conjunto de políticas econômicas inflacionistas e o domínio de regiões por políticos que visavam o enriquecimento próprio, em detrimento da população, foram as principais causas das mazelas daquele tempo.

Serviços públicos

Com relação a escolas, universidades hospitais públicos e etc., também é interessante recorremos ao momento pelo qual o Brasil passava. O ajuste fiscal era essencial para o êxito das reformas que estavam sendo implementadas, durante o governo de Fernando Henrique. Logo, o setor público passou a sofrer com uma enorme contenção de gastos.

As histórias são as mais variadas. Havia faculdade com professores sem receber, ou com salários considerados baixos. A manutenção das universidades e de hospitais também era precária, uma vez que até mesmo papel higiênico faltava.

Novamente, era necessário cortar gastos, ou o plano do governo falharia como os dos antecessores. Ainda assim, vale ressaltar que a administração pública quase nunca soube gastar a verba de forma eficiente. Até os dias atuais, é comum ver esses problemas se repetindo, mesmo que com menos frequência, pois os desvios e o uso irresponsável do dinheiro público são constantes.

Escândalos

Não é nem necessário estender muito nessa parte, uma vez que todos os governos brasileiros (inclusive o da atual presidente) tiveram algum escândalo de corrupção. Isso se deve a ineficiência das nossas instituições que acabam sendo capturadas por grupos de interesse. Tal fato, há décadas, dá margem para que o dinheiro do pagador de impostos seja usado a favor de poucos. Sanear as instituições, através de incentivos de mercado, e reduzir o tamanho do Estado acabam por fazer com que a corrupção seja reduzida.

FMI

O Fundo Monetário Internacional foi uma instituição muito presente na história brasileira recente. No início da década de 1990, após o Consenso de Washington, o FMI passou a adotar a sua tão famosa (e criticada pela esquerda) “cartilha neoliberal”. Esta possuía 10 pontos chave que deveriam ser seguidos por países em dificuldades financeiras, especialmente os da América Latina e Europa Oriental (que haviam acabado de se libertar do domínio da União Soviética).

Os 10 pontos eram: disciplina fiscal, redução dos gastos públicos, reforma tributária, juros de mercado, câmbio de mercado, abertura comercial, investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições, privatização das estatais, desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas) e direito à propriedade intelectual.

Não só o Brasil, mas inúmeros países necessitavam adotar de forma urgente essas medidas, por mais que as mesmas fossem bastante duras. Em curto prazo, a cartilha do FMI geraria desemprego e baixo crescimento. Entretanto, no longo prazo, com as contas públicas saudáveis, gastos do Estado reduzidos, inflação controlada e economia mais competitiva, a população de países em dificuldades financeiras poderia desfrutar de um ambiente econômico muito mais agradável, com níveis de emprego melhores do que antes.

Quando uma forte crise derrubou a Ásia, Rússia e, posteriormente a América Latina, o Brasil foi pego de surpresa. Nosso arranjo monetário que estava configurado na relação 1:1 (1 dólar igual a 1 real), dependia de uma quantidade considerável de reservas internacionais. Tal arranjo foi necessário para proteger o país das flutuações cambiais, que poderiam acabar elevando a inflação.

Entretanto, os investidores internacionais passaram a tirar seus dólares de nações que poderiam ser afetadas pela crise. Argentina, Brasil e outros países da América Latina passaram a sofrer com a crescente fuga de capitais estrangeiros, fazendo com que a moeda de várias nações sofresse uma forte desvalorização frente ao dólar.

Para que o arranjo monetário que ajudou a trazer estabilidade econômica ao Brasil não fosse perdido, o governo teve que recorrer a um empréstimo de US$ 41,5 bilhões, do FMI. Dessa forma, conseguiríamos salvar o arranjo, uma vez que o país passaria a ter mais reservas internacionais.

É evidente que qualquer instituição financeira, ao conceder um empréstimo, faz exigências para ter certeza de que receberá seu dinheiro de volta, acrescido de juros. O FMI impôs como exigência a sua cartilha de estabilização econômica e o Brasil a seguiu muito bem, por mais impopular que fosse. Tal empréstimo foi necessário para que o Plano Real não fracassasse, devido a um possível aumento da inflação, por contra de pressões cambias, caso o câmbio não fosse fixo.

Em 2001, com o agravamento da crise argentina, ataques do 11 de setembro e a possível vitória de Lula fizeram com que novamente as reservas internacionais do país fossem reduzidas. Com isso, o governo contraiu um empréstimo de US$ 4,7 bilhões com o fundo, para conseguir manter o nível de reservas.

Mesmo assim, até a publicação da “Carta ao Povo Brasileiro”, onde Lula disse que se comprometeria com a estabilidade econômica e daria continuidade às reformas de FHC, os investidores ficaram desconfiados. Após as eleições, de fato, Lula cumpriu o que havia prometido na carta. Contudo, depois da Crise de 2008, o tripé macroeconômico montado no final da década de 1990 foi esquecido.

Economia

Nessa parte, o preço fala do aumento do preço da gasolina, do gás, elevação da taxa de juros, juros bancários, demissões etc. Vale a pena comentar algumas dessas capas.

Taxa de juros

Quando a elevação da taxa básica de juros para 45%, durante o início da gestão do economista Armínio Fraga, no Banco Central é interessante, mais uma vez, analisar a conjuntura. Armínio, quando assumiu a presidência do BC, tinha que lidar com uma grave crise cambial que ameaçava secar as reservas internacionais do Brasil, ao passo que tinha que fazer de tudo para salvar o Plano Real.

Como o ex-presidente da autoridade monetário optou por acabar com o arranjo 1:1 defendido pelo economista Gustavo Franco, deixando o câmbio livre, o país poderia ser vítima de uma elevação da inflação, por conta da desvalorização do real. Isso porque, como o câmbio deixou de ser fixo, 1 dólar passou a valer 2,20 reais. Tal fato poderia encarecer produtos importados, ou até mesmo produzidos aqui, só que com componentes estrangeiros.

Logo, por mais que uma SELIC de 45% seja algo um tanto abusivo, tal elevação foi necessária para conter o aumento da inflação (via pressão cambial), bem como o nível de reservas internacionais. E por mais que juros altos reduziam a atividade econômica, a população não toleraria a volta da inflação.

Caso a SELIC fosse reduzida, como defendem algumas pessoas, a atividade econômica seria elevada na marra. Tal fato, apesar de aquecer a atividade econômica, acabaria por gerar inflação e o boom econômico seria baseado em endividamento das famílias e de empresas privadas. Com isso, quando a festa terminasse, uma vez que os indivíduos deixariam de pagar suas dívidas, a atividade econômica cairia. O desemprego, dessa forma, se elevaria, assim como a inflação.

Fraga também foi um dos responsáveis pela implementação do tripé macroeconômico que traria estabilidade a economia brasileira nos anos seguintes. O tripé que é baseado em: câmbio flutuante, metas de inflação e controle dos gastos públicos substituiu o regime de câmbio fixo, que era muito custoso ao Brasil, uma vez que o país não possuía um grande nível de reservas internacionais, o que deixava tal arranjo muito depende da entrada de capital estrangeiro.

Gasolina

A elevação do preço da gasolina é o custo que a população brasileira possui pelo fato de a Petrobras ser a companhia com 100% do mercado de refino Brasil. Como só ela produz gasolina, não há pressão competitiva para que esta reduza os custos, assim como o preço do seu produto. Como, infelizmente, o país vive a mercê desse esquema, os preços acabam sendo repassados aos consumidores, para que a Petrobras não tenha perdas.

Atualmente, como o governo congelou os preços administrados (tarifas de ônibus, preço da gasolina etc) para conter a inflação, a Petrobras está tendo perdas, pois não pode reajustar o preço da gasolina. Ou seja, no final, o povo brasileiro perde das duas formas, uma vez que tem que pagar por um dos combustíveis mais caros do mundo e a empresa da qual é “acionista” acaba por perder dinheiro.

Conclusão

Boa parte das notícias mostradas no texto do “Plantão Brasil” mostram medidas impopulares que tiveram que ser adotadas durante o governo FHC. O que o leitor tem que compreender é que o Brasil precisava de tais medidas, para que hoje pudéssemos desfrutar do ambiente econômico estável (apesar de tudo) que vivemos. O remédio foi muito amargo, exigiu muito do povo brasileiro, mas hoje o povo que sofreu colhe os frutos do que plantou naqueles tempos.

É interessante lembrar que tais reformas tiveram que ser implementadas, devido aos excessos feitos pelos governos anteriores. Suas políticas baseadas na hipertrofia do Estado e nos gastos públicos, se mostraram inflacionárias e profundamente danosas à economia do país. Uma hora, a conta dessa festa que durou décadas teria que acabar.

As reformas sociais do governo Lula e Dilma só teriam sido alcançadas se as formas impopulares tivessem ocorrido. Imagina conseguir fazer um programa eficaz de combate à miséria, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, ou até mesmo o Programa de Aceleração do Crescimento em um ambiente de inflação galopante, pouca poupança e gastos do governo desordenados e irresponsáveis? Seria impossível.

Muitos dizem que, caso Aécio seja eleito, todas as medidas impopulares do governo FHC serão aplicadas. Não existe ideia mais absurda que essa, uma vez que tudo é diferente. Hoje o Brasil possui uma economia muito mais sólida do que na década de 1990, os índices de emprego, apesar de duvidosos, estão melhores. A inflação, por mais que esteja muito longe do ideal, está em um nível aceitável. Logo, aquelas medidas emergenciais dificilmente terão de ser tomadas novamente.

Contudo, alguns ajustes terão de ser feitos. Isso porque será necessário corrigir os excessos praticados durante o segundo mandato de Lula e nos últimos quatro anos do governo Dilma. Os gastos do Estado foram excessivos e mal administrados, fazendo com que muitos programas sociais não avançassem como o esperado. Por mais que, com essas possíveis medidas, o desemprego possa subir, a inflação será reduzida, o que preservará o valor da moeda.

Além disso, Dilma não respeitou a liberdade econômica durante o seu governo. Interviu demais na economia e afugentou investimentos que poderiam ter gerado mais empregos e tornado o país mais competitivo. Segundo o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, nações prósperas possuem altos níveis de liberdade em suas economias.

Até quando o Brasil vai seguir o mesmo caminho de economias decadentes, como Venezuela, Argentina , Bolívia e etc.? Os altos níveis de inflação, desemprego e baixo crescimento mostram que o modelo que estamos adotando está mais do que ultrapassado. Apenas com mais liberdade econômica é que o país de fato irá crescer. A receita é simples: mais livre mercado e menos intervenção do Estado.

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14 comentários sobre “Explicando as 32 capas de jornal da época do governo FHC

  1. Pingback: A farsa do texto do economista alemão que apoia Dilma - Instituto Liberal

  2. vc poderia ter resumido tudo em simples “É NECESSÁRIO VENDER O BRASIL”, assim ficaria mais evidente sua posição. O mais espetacular se seu comentário, foi a forma suavizada com que critica a negatividade da política do partido que levanta bandeira. Pois te digo, não sou partidária, e conheço o suficiente da história do brasil, para invalidar metade de sue discurso partidário e alienante. As efemérides dos periódicos, é o retrato de uma época. Vivemos em um país onde acusar um partido de corrupto é dar tiro no próprio pé. A política de FHC, pode ter sido “boa e eficaz” para a burguesia, os grandes detentores dos meios de produção, mas, para além dessa minoria existe uma vastidão de pessoas humildes e necessitadas, que ficou à margem dessa politica elitista, privatizante e excludente. não digo que o governo petista é o ideal, mas sem dúvida , na história politica desse país foi o único partido que condenou criminosos de colarinho branco, não como deveria, mas o importante é derrubar tabus. Talvez,se a disputa fosse com um candidato sério, que não usasse de estratégias vulgares e alienantes, em que seu rosto é a própria imagem da ironia, deboche e desrespeito aos eleitores, creditaria meu voto. O que o PSDB, busca hoje para vencer as eleições é massificar, juntamente com a mídia burguesa, a mesma que apoiou os militares e que 50 anos depois de desculpa, inculcando nas pessoas, que estamos vivendo no caos. E o pior é que muitas não se dão o trabalho de olhar para si mesmas, e simplesmente reproduzem o discurso alienador. A era do cabresto voltou!

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    • Cara Girsele,

      Vejo que você é formada em História, não só pelo que diz o perfil do seu Facebook, como também pelas palavras que você usa. Bom, por mais que seus argumentos possam parecer fortes, estes sequer arranharam os meus. Você se utilizou de uma série de frases prontas e não se deu o trabalho de rebater, com argumentos econômicos, a minha análise. Estarei, portanto, esperando argumentos do mesmo nível e não meras declarações de cunho esquerdista.

      Obrigado pelo comentário.

      Mateus Maciel.

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      • Mateus concordo com você sobre o comentário da ptista não assumida, tal vez por vergonha, ao menos ela se nega, não ser partidária, mas seu discurso é um delator, mas o que esperar de pessoas que como um terrorista esconde seu rosto? se fingem de caridosos mas só querem fazer caridade se for com dinheiro dos outros porque do delas são incapazes de os fazer. Empreste-me tuas palavras para findar aqui minha participação”Estarei, portanto, esperando argumentos do mesmo nível e não meras declarações de cunho esquerdista”.

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  3. Cara, todos os dados que vc mostrou sao contra seus argumentos. E seus argumentos nao adicionam nenhum dado para basear sua narrativa.

    So pra exemplificar, pq se fosse tratar todos os erros eu teria que colar o texto inteiro:

    ‘Até quando o Brasil vai seguir o mesmo caminho de economias decadentes, como Venezuela, Argentina , Bolívia e etc.?’

    Bolivia eh uma economia decadente? Crescendo 7,5% esse ano e numa media de ~5% desde que Evo assumiu? Voce acompanha noticiario?

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  4. Depois, Aécio, diz: Você atribuir a terceiro, por isso está errada. Mas agora, você repetiu o erro petista.

    Explica, isso aqui:
    Em 2012 montava a 62 bilhões o montante que o BC reinvidicava na justiça dos Bancos Nacional e Banco Economico, por não ressarcir os empréstimos do PROER, generosamente concedidos por FHC a bancos de parentes e que cometeram fraudes contra o sistema financeiro
    http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/03/05/bc-cobrara-r-62-bi-dos-bancos-nacional-e-economico-na-justica-diz-jornal.jhtm

    Eu não acredito em metade das palavras da Dilma, mas sei diferenciar todas do Aécio. Pra mim, ainda não temos uma oposição de qualidade. Nem um modelo inclusivo.

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