O Brasil está pronto para o liberalismo?

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Hoje minha amiga Bia Leal escreveu um texto para o blog do Caio Blinder na Veja, no qual opinou que o Brasil ainda não estaria preparado para o liberalismo. Diz ela:

Eu, que, apesar de leiga em economia me mantenho hipster, mesmo que contra à intromissão do Planalto nas decisões do Banco Central, achava um tanto utópico o abre-geral liberalista que defende que a área assistencialista do Brasil seja administrada pelas políticas de responsabilidade social das empresas – principalmente em uma sociedade que ainda não aprendeu a consumir informação e enxergar além das particularidades, interesses, amores e ódios de cada texto que corre nas redes sociais (enquanto isso, nas paredes dos quartos, os cartazes de líderes políticos são substituídos por cartazes de colunistas).

Como a conheço e sei que ela nunca se oporia ao um sistema que confere mais liberdade aos indivíduos, creio que o posicionamento dela ainda está baseado em uma visão distorcida do Liberalismo, que o associa com um governo de grandes capitalistas.

Sempre é bom lembrar que o melhor amigo das grandes empresas é o estado. Matéria recente do Globo mostra que 62% das receitas da Odebrecht, 35% da Camargo, 72% da Andrade e 100% no caso da Queiroz Galvão vêm de obras do setor público. Ou seja, se você é contra esse tipo de relação incestuosa, você deve com certeza preferir menos estado, e não mais.

Maniçoba

Isso é maniçoba.

Isso é maniçoba.

O questionamento da Bia me fez lembrar de uma situação vivida por mim em uma visita a Macapá. Fui a um restaurante e pedi maniçoba. Trata-se de um prato típico da região Norte, feito de folhas da maniva/mandioca moídas e cozidas, por aproximadamente uma semana, acrescida de carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados. É uma delícia, mas a aparência não é das mais atrativas.

Para minha surpresa, o garçom se recusou a atender o meu pedido. Disse que, como eu era turista, com certeza, não iria gostar do prato. Ou seja, ele, por acreditar o que era melhor para mim (mais do eu mesmo!), decidiu restringir minha liberdade de escolha.

O mesmo acontece com as pessoas que consideram que o Brasil não está pronto para o Liberalismo. Com esse pensamento, políticos e burocratas têm a desculpa perfeita para ampliar cada vez mais o uso do dinheiro dos pagadores de impostos para criar mais benesses corporativistas à custa do restante da sociedade.

Um caso clássico, entre tantos outros, é a obrigatoriedade de retransmissão, em cadeia nacional, da “Voz do Brasil”. Todos que defendem essa medida dizem que é para o bem da população, que não buscaria informação sozinha. Claro que isso esconde o fato de a maioria dos programas serem usados não como fonte noticiosa, mas sim como propaganda do próprio estado.

Conclusão – it´s time!

bufferMuitas das pessoas que pensam que o país ainda precisa de preparo para o Liberalismo são cidadãos de boa fé, que acreditam que tal sistema destruiria a rede de proteção dos mais pobres. Contudo, eles se esquecem que medidas como o Bolsa Família têm raízes em propostas liberais, defendidas principalmente pelo saudoso Milton (Mito!) Friedman. Ele já falava há anos do imposto de renda negativo, muito antes de o PT chegar ao poder.

Outro medida que muitos progressistas têm em alta conta, o Prouni, também segue linhas liberais. Trata-se do já muito debatido sistema de vouchers, que confere incentivos à iniciativa privada no fornecimento de serviços educacionais.

Em suma, digo à Bia e a tantos outros de bom coração, o Brasil nunca esteve tão preparado par ao Liberalismo. Afinal, esse é o sistema que prevê a valorização do indivíduo acima de qualquer interesses políticos, corporativistas e empresariais. Além disso, trata-se do melhor caminho para ampliar a liberdade e fortalecer os laços voluntários.

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6 comentários sobre “O Brasil está pronto para o liberalismo?

  1. Pedrão, vc é o true hipster temos que conversar mais! Tenho muitas dúvidas. Penso na indústria da cultura, como exemplo. Antigamente, existia apenas a atuação das grandes corporações (no caso grandes gravadoras, editoras, etc). Eles determinavam quais artes iam “mainstreamizar” e o preço a colocar nelas, fazendo do consumidor apenas agente quase passivo do sistema (a ele cabia apenas escolher o livro, escolher o cd). A tecnologia ajudou os artistas a terem um canal direto com o fã, que agora pode escolher se compra apenas uma música, ou todas, se financia aquele artista em que acredita, etc. Não entendo muito, mas acho esse liberalismo bastante honesto e justo. As gravadoras não deixaram de existir, mas deixaram de ser monopólio da escolha. No entanto, no Brasil, em outros setores da arte, a gente teve que ter uma ajuda do estado, FAC, lei rouanet, etc, para fazer essa transição. Se não as gravadoras/editoras engolem. Os artistas de hoje já estão questionando a politicagem dos editais e partindo pro crowdfunding, tendo que fazer campanhas de qualidade para seduzir seu público (e entregar com qualidade). Penso num paralelo parecido com a imprensa. Qual sua opinião sobre a regulamentação da mídia?

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  2. Eu não sou nenhum estudioso do liberalismo, então não falo em nome de nenhuma ideologia. Mas acho que o Prouni é um programa de linhas liberais, sim. Segundo o que eu entendo sobre o liberalismo, ele defende que quem tem dinheiro pra pagar pela sua educação tem que pagar, e quem não tem recebe da sociedade. Temos, basicamente, duas opções pra fazer isso acontecer: o estado manter faculdades e escolas públicas, mantidas e administradas com o dinheiro público, que atenderia somente quem não tem condições de ir para uma instituição privada, ou termos o sistema de voucher, em que o estado pagaria uma bolsa para o estudante ir para uma escola privada. De uma forma ou de outra, quem financia esses estudante sempre é o restante da sociedade, através dos impostos, e a diferença entre uma alternativa e outra é quem administra a instituição de ensino. Na primeira é o estado e na segunda é a iniciativa privada. Assim, a alternativa liberal seria a do pagamento de bolsas, vouchers, em instituições privadas, que são bem mais eficientes do que o estado, incentivando a competição entre as várias empresas do mercado. O Prouni é, em linhas gerais, essa segunda alternativa. Abraços

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  3. Pingback: Democracia: o “mal” ainda necessário | fordies

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