Por que os liberais acertam?

Por Gabriel Vince

“Minha maior ilusão política foi acreditar que a União Soviética poderia ser uma alternativa de desenvolvimento para o Ocidente. Tal crença tomou corpo simplesmente porque, a certa altura do século XX, a economia capitalista mergulhou numa crise catastrófica, à qual a União Soviética parecia imune. Mas, principalmente depois dos anos cinquenta e sessenta, ficou claro que o socialismo soviético não iria cumprir suas promessas nem realizar suas potencialidades. A partir daí,muitos – como eu – deixaram de acreditar no que tinham acreditado quando jovens”.*

*Eric Hobsbawm
Entrevista gravada em Londres, em 1995. A íntegra da entrevista com Eric Hobabawm – assim como com o filho do líder soviético Nikita Kruschev, com um general da KGB e com o agente encarregado de eliminar Leon Trotsky – foi publicada no livro “DOSSIÊ MOSCOU

Essa certa decepção que aconteceu com Hobsbawn não é muito rara mas creio que o espanto do famoso historiador marxista poderia ser amenizado se ele tivesse um contato mais próximo com os teóricos liberais que há dez, vinte e até um século antes discursaram sobre os problemas do socialismo.

Desde “A Lei” de Frédéric Bastiat, escrita em 1850, e “Caminhos da Servidão” de Friedrich Hayek, escrito em 1944, podemos dizer que avisos não faltaram.

Você não precisa simpatizar com alguma teoria política ou econômica. No entanto o que você não pode ignorar são os fatos, liberais acertaram mais previsões do que os socialistas, não apenas dos impactos sociais mas econômicos.

Foi-se o tempo em que socialistas em toda a parte acreditavam piamente que a União Soviética seria o timoneiro do mundo e hoje em dia fica evidente que não era, como nos diz a sabedoria bíblica do sonho de Nabucodonosor, sabemos que era um “gigante com pés de barro”. Economicamente inviável e socialmente um desastre.

Abaixo uma lista de previsões acertadas sobre o destino soviético.

1921 – O economista austríaco Ludwig von Mises previu o colapso e eventual insustentabilidade do sistema soviético em seu livro “Socialismo: Uma análise econômica e sociológica”, publicado meses antes Lenin implementar a Nova Política Econômica que restabeleceu os direitos de propriedade parcialmente. ACERTOU.

1946-1947 – O diplomata americano George F. Kennan propôs sua famosa teoria de contenção argumentando que, se a União Soviética não conseguisse se expandir por embargos e bloqueios, em breve entraria em colapso. ACERTOU.

1950 – Zbigniew Brzezinski, conselheiro de Segurança Nacional de Jimmy Carter, fez uma tese de mestrado argumentando que a União Soviética estava fingindo ser um único estado, mas na verdade era um império multinacional em plena época do nacionalismo. Assim, a União Soviética iria quebrar.
Como um acadêmico da Universidade de Columbia, Brzezinski escreveu numerosos livros e artigos e “levou a sério a possibilidade de colapso”, incluindo “Dilemmas of Change in Soviet Politics” (Dilemas da mudança na política soviética) (1969) e “Between Two Ages: America’s Role in the Technetronic Era” (Entre duas Eras: o papel dos EUA na Era Tecnotrônica) (1970). ACERTOU.

Tem mais:

Konrad Adenauer fez em 1950 a previsão de reunificação da Alemanha. ACERTOU.

Whittaker Chambers, uma publicação póstuma de 1964, intitulada Cold Friday previu um eventual colapso soviético iniciado com uma “revolução satélite” na Europa Oriental. Essa revolução resultaria na transformação da ditadura soviética. ACERTOU.

Michel Garder previu o colapso soviético em 1965 no livro L’Agonie du Regime en Russie Sovietique. ACERTOU.

A RAND Corporation, uma organização californiana que realiza pesquisas para contribuir com a tomada de decisões e a implementação de políticas no setor público e privado (e que tem o nome inspirado na filosofa Ayn Rand) em 1968 previu o colapso soviético. ACERTOU.

Mais nomes:

Robert Conquest, Andrei Amalrik, Marian Kamil Dziewanowski, Emmanuel Todd, Bernard Levin, Daniel Patrick Moynihan.

Podemos dizer que os liberais acertam mais não por uma questão de vidência ou dom divino especial, mas por serem mais propensos a uma análise científica da economia e da política. Muito mais desconfiados de utopias milagrosas e sentimentalismos bobos.

Abaixo uma ótima tirinha da Ossuário que resume bem o que foi dito:

Charge Ossuário

Entre a dura realidade e a utopia delirante. Como diria o filósofo francês Raymond Aron: “O marxismo é o ópio dos intelectuais”

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