Tradução do editorial do The New York Times sobre o momento do governo Dilma

O The New York Times publicou um editorial para tratar das perspectivas do governo petista de Dilma, no esforço para superar uma tempestade perfeita, fruto de uma combinação de queda de popularidade, crise política e economia em decadência. Abaixo você pode conferir a tradução do texto. O original está disponível AQUI.

A voz turva do Brasil no cenário mundial

Quando Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil em 2010, a indústria era próspera e seu objetivo de erradicar a pobreza na sétima maior economia do mundo parecia ao seu alcance. Muitos brasileiros esperavam que Dilma, ex-presa política, iria estabelecer um legado como uma transformadora do estado brasileiro no país e no estrangeiro.

Até o momento, as esperanças parecem ter sido extraviadas. Dilma tem sido uma líder decepcionante nas questões nacionais e, talvez o mais decepcionante ainda, no cenário mundial. Enquanto as outras três grandes economias emergentes, China, Rússia e Índia, possuem políticas externas robustas, sob a batuta de Dilma, a voz do Brasil na arena internacional mal registra um sussurro.

Depois de ter sido reeleita por uma margem pequena nas eleições passadas, Dilma está agora enfrentando o período mais turbulento de sua carreira política. A economia se pulverizando e os brasileiros estão enfurecidos com a corrupção crescente na Petrobrás, a companhia estatal de petróleo, que manchou figuras proeminentes do Partido dos Trabalhadores. Com milhares de brasileiros tomando as ruas para protestar contra a liderança de Dilma Rousseff, e alguns pedindo impeachment, a presidente, muito provavelmente, ficará tentada a resistir e se concentrar na crise política.

Restaurar a confiança dos eleitores será, sem dúvida, difícil. Contudo, seria sensato Dilma gastar mais energia olhando para fora, para ajudar a fortalecer a economia do país.

Um primeiro passo seria trazer o relacionamento do Brasil com os Estados Unidos de volta aos trilhos. As autoridades americanas viram uma perspectiva significativa em Dilma durante seus primeiros anos de mandato, vendo-a como uma líder mais pragmática do que o seu antecessor e mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, um dos esteios da esquerda da América Latina.

Mas as negociações para uma expansão do comércio e envolvimento diplomático foram revertidas no final de 2013, quando documentos da Agência de Segurança Nacional, vazados por Edward Snowden, revelaram que Dilma estava entre os alvos da vigilância americano. Ela denunciou que a grande massa de dados globais da agência de espionagem seria uma “violação do direito internacional”. Por isso, cancelou uma visita de estado a Washington e se abriu mão na última de um acordo de US $ 4,5 bilhões para comprar caças da Boeing.

Este ano, o governo Dilma Rousseff e a administração Obama manifestaram interesse em se envolver em um nível superior em áreas de interesse mútuo, que incluem comércio,  política ambiental e o futuro, cheio de turbulência, da Venezuela.

Dilma Rousseff, ex-líder guerrilheira marxista, não vai se tornar uma aliada americana da noite pro dia, e há muito em que os dois governos vão continuar a concordar em discordar. O Brasil, por exemplo, tem sido crítico do uso da força militar norte-americana no exterior e, no passado, usou sua influência diplomática para fortalecer as instituições multilaterais, que atuam como um contrapeso para Washington.

No entanto, o Brasil pode desempenhar um papel central em dois países latino-americanos que são de importância crescente para os Estados Unidos.

Na Venezuela, o Brasil pode ser o ator externo mais influente e capaz de reduzir o fosso perigoso entre o governo do presidente Nicolás Maduro e da oposição, que Maduro tem confrontado ao prender seus líderes. Lula, um político carismático, que se deleitava com a acordos diplomáticos, muitas vezes usou sua significativa influência sobre o predecessor de Maduro, Hugo Chávez.

Em Cuba, o Brasil pode desempenhar um papel construtivo na evolução econômica e política da ilha, à medida que era Castro chega ao fim. Brasil já investiu em um enorme porto novo que poderia ajudar a ressuscitar economia anêmica de Cuba.

Como uma líder de esquerda, Dilma foi previsivelmente simpática com os líderes autoritários de ambas as nações. Como uma ex-prisioneira política, que sofreu tortura durante uma época de repressão e ditadura militar no Brasil, Dilma poderia fazer muito mais para defender a causa dos que lutam pelos valores democráticos e movimentos sociais similares aos que permitiram sua ascensão ao poder.

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