Os 10 melhores livros de ficção para refletir a sociedade

Admirável Mundo Novo

1 – Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley (1932)

Admirável Mundo Novo (Brave New World na versão original em língua inglesa) é um livro escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932 que narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. A sociedade desse “futuro” criado por Huxley não possui a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade atual. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeitos colaterais aparentes chamada “soma”. As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe.
O livro desenvolve-se a partir do contraponto entre esta hipotética civilização ultra-estruturada (com o fim de obter a felicidade de todos os seus membros, qualquer que seja a sua posição social) e as impressões humanas e sensíveis do “selvagem” John que, visto como algo aberrante, cria um fascínio estranho entre os habitantes do “Admirável Mundo Novo”.
Aldous Huxley escreveu, mais tarde, outro livro, chamado Retorno ao Admirável Mundo Novo, sobre o assunto: um ensaio onde demonstrava que muitas das “profecias” do seu romance estavam a ser realizadas graças ao “progresso” científico, no que diz respeito à manipulação da vontade de seres humanos.

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1984
2 – 1984 – George Orwell (1948)

1984 é um romance distópico clássico do autor inglês Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell. Terminado de escrever no ano de 1948 e publicado em 8 de junho de 1949, retrata o cotidiano de um regime político totalitário e repressivo no ano homônimo. No livro, Orwell mostra como uma sociedade oligárquica coletivista é capaz de reprimir qualquer um que se opuser a ela. A história narrada é a de Winston Smith, um homem com uma vida aparentemente insignificante, que recebe a tarefa de perpetuar a propaganda do regime através da falsificação de documentos públicos e da literatura a fim de que o governo sempre esteja correto no que faz. Smith fica cada vez mais desiludido com sua existência miserável e assim começa uma rebelião contra o sistema.

O romance se tornou famoso por seu retrato da difusa fiscalização e controle de um determinado governo na vida dos cidadãos, além da crescente invasão sobre os direitos do indivíduo. Desde sua publicação, muitos de seus termos e conceitos, como “Big Brother”, “duplipensar” e “Novilíngua” entraram no vernáculo popular. O termo “Orwelliano” surgiu para se referir a qualquer reminiscência do regime ficcional do livro. O romance é geralmente considerado como a magnum opus de Orwell.

Nós
3 – Nós – Yevgeny Zamyatin (1920)

“Nós” é um romance escrito entre 1920 e 1921 pelo escritor russo Yevgeny Zamyatin.
Parte desse romance é baseado nas experiências do autor com as revoluções russas de 1905 e 1917 e no período em que trabalhou em 1916 supervisionando a construção de navios na Inglaterra.
Trata-se de uma sátira futurista distópica, geralmente considerada o berço do gênero (mas há outras, como A Nova Utopia, de Jerome K. Jerome, de 1891, e O Tacão de Ferro de Jack London, de 1900). O livro leva a extremos os aspectos mais totalitários e o conformismo da sociedade industrial moderna, descrevendo um Estado que acredita que o livre-arbítrio é a causa da infelicidade e que a vida dos cidadãos deve ser controlada com precisão matemática baseada nos sistemas de precisão industrial criados por Frederick Winslow Taylor.
Embora escrito no início da década de 1920, Nós só publicado pela primeira vez em 1924, e em inglês e em Nova Iorque, por estar proibido na então União Soviética devido à censura imperante no país. A primeira edição no idioma russo só foi lida em 1927/1928, quando publicada em um jornal de emigrados. O livro só adentrou legalmente a pátria-mãe do autor em 1988, com as políticas de abertura do regime soviético.
Entre outras inovações literárias, a visão de Zamyatin inclui um ambiente de casas—e quase tudo mais—de vidro e outros materiais transparentes, onde todos estão visíveis e um cidadão é o vigia do outro. Por suas críticas ao socialismo russo, esta e outras obras do autor eram freqüentemente banidas.
Há discussões sobre as influências do trabalho se Zamyatin no trabalho mais conhecido do gênero: 1984 de George Orwell, que começou a escrevê-lo alguns meses após ler uma tradução francesa de Nós e ter escrito uma resenha da obra.

Fahrenheit 4514 – Fahrenheit 451 (Ray Bradbury) – 1953

Fahrenheit 451 é um romance distópico de ficção científica soft, escrito por Ray Bradbury e publicado pela primeira vez em 1953.
O romance apresenta um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido. O personagem central, Guy Montag, trabalha como “bombeiro” (o que na história significa “queimador de livro”). O número 451 é a temperatura (em graus Fahrenheit) da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius.
Através dos anos, o romance foi submetido a várias interpretações primeiramente focadas na queima de livros pela supressão de ideias dissidentes. Bradbury, porém, declarou que Fahrenheit 451 não trata de censura, mas de como a televisão destrói o interesse pela leitura.
O autor conta que todo o romance foi escrito nos porões da biblioteca Powell, na Universidade da Califórnia, em uma máquina de escrever alugada. Sua intenção original, ao escrever o romance, era mostrar seu grande amor por livros e bibliotecas, e frequentemente se refere a Montag como uma alusão a ele mesmo.
O romance reflete importantes temas inquietantes da época de sua escrita, deixando muitos interpretarem diferentemente do que pretendia Bradbury. Entre os temas atribuídos para o romance, o que Bradbury chamou de “força destruidora de pensamentos” da censura nos anos 50, os incêndios de livros na Alemanha Nazista que começaram em 1933 e as horríveis consequências da explosão de uma arma nuclear:

“Eu quis dizer qualquer espécie de tirania, em qualquer parte do mundo, a qualquer hora, na direita, na esquerda ou no centro.”

Uma circunstância particularmente irônica é que, sem o conhecimento de Ray Bradbury, foi publicado uma edição censurada em 1967, omitindo as palavras “droga” e “inferno”, para a distribuição em escolas. Edições posteriores (com todas as palavras, sem omissões) incluíram um epílogo do autor descrevendo este evento e outros pensamentos adicionais sobre censura e revisionismo “bem-intencionados”.

A Revolta de Atlas (Ayn Rand) - 1957

5 – A Revolta de Atlas (Ayn Rand) – 1957

Revolta de Atlas uma ficção escrita pela filosofa Ayn Rand publicado em 1957 em um mundo marcado por uma proliferação de republicas socialistas que tolhem a livre-iniciativa e a liberdade econômica de indivíduos.
O livro explora especificamente um Estados Unidos distópico, onde o governo insiste em taxar e regulamentar os cidadãos produtivos, suas empresas e realizações individuais.
Nesse cenário desolador em que a intervenção estatal se sobrepõe a qualquer iniciativa privada de reerguer a economia, os principais líderes da indústria, do empresariado, das ciências e das artes começam a sumir sem deixar pistas. Com medidas arbitrárias e leis manipuladas, o Estado logo se apossa de suas propriedades e invenções, mas não é capaz de manter a lucratividade de seus negócios.
Mas a greve de cérebros motivada por um Estado improdutivo à beira da ruína vai cobrar um preço muito alto. E é o homem – e toda a sociedade – quem irá pagar.
Ayn Rand traça um panorama estarrecedor de uma realidade em que o desaparecimento das mentes criativas põe em xeque toda a existência. Com personagens fascinantes, como o gênio criador que se transforma num playboy irresponsável, o poderoso industrial do aço que não sabe que trabalha para a própria destruição e a mulher de fibra que tenta recuperar uma ferrovia transcontinental, a autora apresenta os princípios de sua filosofia: a defesa da razão, do individualismo, do livre mercado e da liberdade de expressão, bem como os valores segundo os quais o homem deve viver – a racionalidade, a honestidade, a justiça, a independência, a integridade, a produtividade e o orgulho.
Best-seller há mais de 50 anos, com 11 milhões de exemplares vendidos no mundo inteiro, A revolta de Atlas desafia algumas das crenças mais arraigadas da sociedade atual.
A obra inclui elementos de mistério e ficção científica e pode ser lido como um tratado filosófico do Objetivismo, filosofia individualista identificada pela autora, emaranhado de questões políticas e econômicas.
Foi lançado a primeira vez no Brasil como “Quem É John Galt?” em 1987 e relançado em 2010 como “A Revolta de Atlas”.
É a quarta, última e definitiva novela de Ayn Rand, considerada por muitos sua principal obra.

Laranja Mecânica

6 – Laranja Mecânica (Anthony Burgess)  – 1962

Laranja Mecânica (A Clockwork Orange) é um livro de Anthony Burgess escrito em 1962 que suscitou polêmicas pela fora crua com que descreve um mundo de violência.
Sem a menor pretensão de sensacionalismo o livro parece ser uma sátira à sociedade inglesa. A trama se desenrola em um futuro não determinado e conta a história de um jovem delinquente (Alex) e sua gangue (Pete, Georgie e Tosko) que espancam mulheres.
O romance foi inspirado em um fato real ocorrido em 1944: o estupro, por quatro rapazes, da primeira mulher do autor, Lynne. A leitura é um dos primeiros impactos ao leitor porque Burgees inventou todo um vocabulário próprio, uma linguagem denominada nadsat, falada pelos adolescentes, cheia de gírias e cacoetes linguísticos.
O ponto mais crítico do livro está no tratamento de Alex, um condicionamento behaviorista, no qual no final o paciente faria a associação da violência com o desconforto que lhe era induzido através de uma substância que era injetada em seu corpo, sendo impelido de agir violentamente, e até mesmo de revidar, caso alguém o atacasse.
Através de um motivo legítimo de conter a violência o livro aponta um perigo real da manipulação científica da personalidade de um indivíduo, de seus próprios atos e reações serem condicionados.

O livro foi adaptado ao cinema por Stanley Kubrick em 1971.

this perfect day
7 – This Perfect Day (Ira Levin) – 1970

This Perfect Day é um romance de ficção-científica escrito por Ira Levi (o mesmo autor original de Bebê de Rosemary), muitas vezes comparado com 1984 e Admirável Mundo Novo.
Como de costume nesse tipo de literatura o leitor já é jogado num universo desconhecido, nada é muito bem definido no enredo logo de início e você vai fazendo suposições a partir da história que se passa numa sociedade aparentemente perfeita cujo a gênese parece estar escondida num misterioso canto aprendido nas escolas que diz o seguinte “Christ, Marx, Wood and Wei led us to this perfect day”.
A uniformidade é a característica definidora dessa sociedade, há apenas uma língua e todos os grupos étnicos foram ecumenicamente fundidas em uma raça chamada “A Família”.
Padronização, fim da individualidade, planejamento tecnocrático, mundialização, fim das tradições são elementos comuns nesse tipo de mundo apocalíptico que é pintado tantas vezes pela ficção-científica política  e nesse não ficaria de fora. Existem apenas quatro nomes pessoais para homens (Bob, Jesus, Karl e Li) e quatro para as mulheres (Anna, Maria, Paz e Yin). Em vez de sobrenomes, os indivíduos distinguem-se por um código alfanumérico de nove caracteres, a sua“nameber” (um neologismo de “name” e “number”), por exemplo, WL35S7497.
Existe uma certa analogia ao mundo socialista, pois tudo é planejado de esferas politicas superiores, e todos comem e bebem a mesma coisa, com cotas de distribuição (como haviam na URSS), vestem as mesmas roupas e são sempre induzidos a estarem satisfeitos. Também há analogia ao tecnologismo ocidental, a ditadura silenciosa de corporações, onde o mundo todo é gerido para manter cada ser humano sobre a superfície da Terra na tutela de um supercomputador chamado Unicomp.
As pessoas estão constantemente drogadas, por meio de tratamentos mensais para que eles permanecerem satisfeitos e cooperativos como “membros da família”. Eles dizem onde viver, quando comer, com quem se casar, quando se reproduzir, e para a qual trabalho que serão formados. Todo mundo é atribuído um conselheiro que atua tanto como um mentor, confessor, e agente de liberdade condicional; violações contra os “irmãos” e “irmãs” por si mesmos e os outros devem ser relatados em uma confissão semanal.

Modern Utopia


8 – A Modern Utopia (H.G. Wells) – 1905

A Modern Utopia foi livro de ficção escrito em 1905 por H.G. Wells e ainda se mostra bem atual.
Nele o autor propõe um certo deslumbramento acerca de uma reforma social, da formação de um Estado mundial.  O deslumbramento do mundo perfeitamente ordenado e funcionando, que evoca os pressupostos filosóficos básicos do positivismo, percebe-se que o autor viveu numa época em que isso ainda estava sua fase de admiração.
Como a maioria dos utopistas, ele listou uma série de mudanças que em sua opinião faria aumentar a felicidade humana. Basicamente, a ideia de Wells era de um mundo perfeito em que todo mundo fosse capaz de viver uma vida feliz através de um esforço técnico de dirigentes iluminados.
A inocência do autor frente ao perigo real de totalitarismo de um mundo ordenado, perfeito, asséptico e mecânico, construído em seu background por mentes visionárias brilhantes, percorre todo o livro e é interessante que faça isso pois somos obrigados a nos colocar na sua visão de mundo, presa em sua época. É um bom exercício fazer posteriormente a leitura deste livro, uma leitura do clássico de Huxley, Brave New World, que é um contraponto.
Este livro é escrito com um conhecimento íntimo de ex-repúblicas ideais e é uma tentativa consciente para descrever uma utopia que não é utópico. Wells salienta que ele está descrevendo uma utopia dinâmica. Isto significa que esta sociedade moderna exige e permite melhorar ainda mais.

The Moon is a Harsh Mistress (Robert A. Heinlein) - 1966

9 – The Moon is a Harsh Mistress (Robert A. Heinlein) – 1966

The Moon in a Harsh Mistress é um livro de ficção-científica escrito por Robert A. Heinlein sobre uma guerra de independência de uma colônia penal localizada na Lua, nos anos 2075 e 2076.
O livro apresenta várias idéias libertárias e é considerado o resumo das idéias políticas de Heinlein sendo recomendado até por Isaac Asimov um escritor e bioquímico, considerado em vida como um dos “Três Grandes” escritores da ficção científica. O livro também é um dos primeiros no estilo cyberpunk: os heróis são sujos e pobres; o protagonista é um hacker com um braço mecânico cujo melhor amigo é uma inteligência artificial. Heinlein voltaria a escrever sobre o universo deste livro em The Cat Who Walks Through Walls.

O Homem Duplo


10 – O Homem Duplo (Philip K. Dick) – 1973

O Homem Duplo (Scannner Darkly) é um romance do semi-autobiográfico do famoso escritor Philip K. Dick. A história se passa num futuro distópico, em Los Angeles, que é rastreada por scanners, infestadas por milhares de insetos imaginários e dominada pela criminalidade e o tráfico de drogas.
Entre as drogas mais comuns nesse mundo é uma chamada “Substância D”, que causa um nível de dependência sem precedentes. Além da vigilância, o livro trabalha com problemas sociais conhecidos como o uso de drogas e o sistema de influência e poder que se cria disso. O livro foi adaptado para o cinema por Richard Linklater em 2006.

Hora do jabá:
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4 comentários sobre “Os 10 melhores livros de ficção para refletir a sociedade

  1. Chamo a atenção para um autor da atualidade, que faz analise de todos os setores de nossas vidas com muita lucidez e simplicidade. Trata-se de Zygmunt Bauman. Sua produção é prolifica.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pingback: A emancipação da mulher de John Stuart Mill e o “Admirável Mundo Novo” de August Bebel. | Liberdadebr.org

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