A emancipação da mulher de John Stuart Mill e o “Admirável Mundo Novo” de August Bebel.

John Stuart Mill e August Bebel

Nem todo liberal ou nem todo socialista na história tiveram objetivos opostos. A emancipação da mulher, por exemplo, era algo desejado tanto por alguns liberais como John Stuart Mill, quanto por alguns socialistas como August Bebel. As mesmas intenções se chocam, novamente, com o método e é somente isso que interessa discutir já que quase todas as boas intenções são, a priori, belas e morais.

Enquanto John Stuart Mill (de “A sujeição das mulheres”, 1869) defendia a emancipação através da reforma das instituições, impulsionada pelo princípio da “perfeita igualdade”, August Bebel (de “A Mulher sob o Socialismo”, 1879) não via a dominação das mulheres como fato isolado da totalidade sistêmica, ou seja, enquanto houver as mesmas relações de produção a mulher se tornará subordinada ao homem.
Isso tem sua origem em Engels, no livro “A origem da família, da propriedade privada e do Estado” (1844) que diz que a organização das relações de trabalho são determinantes diretos das relações entre homens e mulheres. Para um socialista como Bebel a única conclusão que você pode tirar é que somente uma revolução comunista levaria a emancipação feminina. A causa da revolução econômica acaba levando consigo todas as outras causas emancipatórias. A mulher sob o comunismo seria a mulher emancipada.

Para um liberal como Stuart Mill isso é bem diferente e muito mais complexo. No caso da mulher, quando John Stuart Mill diz que a dominação da mulher se deu num estágio primitivo à permanência de traços característicos de uma sociedade que era baseada na “lei do mais forte” como uma imposição meramente da natureza e dos perigos das feras selvagens, ele não disse nada mais do que uma verdade científica hoje corroborada a exaustão. Em vez de explicar tudo num certo determinismo econômico ele explica pelas condições primitivas, pelas variantes culturais desenvolvidos, pelo aspecto da diferenciação anatomofisiológica que existe entre homens e mulheres (e como isso pode ter determinado a divisão do trabalho) e também pela economia.

É muito mais complicado pensar como um John Stuart Mill do que como um August Bebel. A diferença do pensamento liberal para o socialista é que o primeiro complica para simplificar e o outro simplifica para complicar. Para o programa socialista de August Bebel junta-se a ideia de igualdade de sexo com planejamento estatal. Em seu livro, “A mulher sob o socialismo”, Bebel defende a criação de um complexo aporte estatal onde toda a atividade materna seria, digamos, terceirizada. Para Bebel, a posição da mulher no organismo social como “mãe” e “esposa” ganharia novos contornos a partir de sua “liberação” em relação às tarefas domésticas, todas convertidas em serviços públicos prestados por profissionais do Estado.

É interessante que toda essa visão de Bebel é exatamente o “Brave New World” que aterrorizou os pensamentos de Aldous Huxley. Onde o velho conceito de família é visto como selvagem, bárbaro, vulgar e todo o papel familiar é transferido para um agigantado Estado. Não teríamos na visão de August Bebel, uma sociedade matriarcal nem patriarcal, teríamos um verdadeiro “Admirável Mundo Novo”, o socialismo, tal como ele defende, levaria a uma sociedade, digamos, “Estatriarcal”, onde todos seriam filhos do Estado. Estaríamos vivendo a pior das distopias já escritas num livro de ficção-científica e tudo “na melhor das intenções”.

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